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Compal reduziu quantidade de produto vendido nas embalagens de sumo, mas não baixou os preços?

Sociedade
O que está em causa?
A denúncia tem origem no TikTok e motivou indignação entre alguns consumidores. Porém, segundo explicou ao Polígrafo a Deco Proteste, não é uma prática “ilegal”, ainda que acabe por resultar “num aumento do preço” do produto “que pode passar despercebido e é suscetível de induzir o consumidor em erro”.

Na rede social TikTok, uma utilizadora partilhou um vídeo que exibe o que aparenta ser uma embalagem antiga e outra mais recente do mesmo produto: o “Compal Origens Manga Magdalena”. A principal diferença entre as embalagens seria a quantidade de néctar existente em cada, que teria baixado de 330ml para 300ml.

Paguei a mesma coisa, para beber menos”, constatou a autora da denúncia, questionando a marca acerca da razão que levou a adotar estas embalagens “mais magrinhas”. Em jeito de brincadeira, perguntou ainda se as mesmas fizeram “dieta”, apelando assim à Compal para que reverta a decisão tomada.

Mas será que esta denúncia tem fundamento?

Sim. Ao Polígrafo, fonte oficial da empresa Sumol+Compal explicou que para “evitar a revisão de condições comerciais imposta pelo aumento dos custos, foi introduzida uma nova embalagem ‘Compal Edge 300ml’, que é mais adequada ao padrão de consumo desta categoria, caracterizado por doses menores, mais próximas dos 200ml a 250 ml por cada ato de consumo”.

De momento, estas “duas embalagens [de 300ml e de 330ml] ainda estão a ser comercializadas”, por “uma questão de escoamento de stock existente”. A mesma fonte esclareceu ainda que, assim que tal objetivo for cumprido, a marca passará apenas a vender a embalagem de 300ml.

A Sumol+Compal garantiu também ser “totalmente alheia à definição dos preços finais praticados pelos seus clientes junto dos consumidores finais”, cabendo-lhe “apenas responsabilidade na definição das condições comerciais praticadas na venda aos seus clientes, que não são revistas desde 2022, para as embalagens de cartão 330 ml de sumos e néctares”. Isto “apesar das pressões inflacionistas que se registaram desde então, com fortes impactos nos custos dos materiais de embalagem e das matérias-primas de fruta”.

Em resposta ao Polígrafo, a Deco Proteste explicou que estamos perante “um caso típico de reduflação”, já que existiu “uma redução da quantidade de produto e que o preço de venda se manteve”. Regra geral, trata-se de uma prática que “consiste em reduzir o tamanho ou conteúdo das embalagens mantendo, ou até aumentando, os preços dos produtos”.

A mesma fonte explicou que em causa está uma “estratégia da indústria que surge com maior frequência em tempos de inflação, como forma de amortecer a perda de margens e tornar menos evidente a subida de preços”. De facto, ao longo dos últimos anos, o Polígrafo tem verificado casos similares de outras marcas que adotaram esta estratégia (aqui e aqui).

A Deco Proteste sublinhou ainda que apesar de “não ser, em si mesma, ilegal, a reduflação traduz-se num aumento do preço que pode passar despercebido e é suscetível de induzir o consumidor em erro”. Por isso, a mesma fonte defendeu que é exigida uma “maior transparência” e que a “alteração de componentes do produto, mantendo o preço, deve ser claramente comunicada pelas marcas” – para garantir que “este tipo de práticas se torne mais percetível para os consumidores”.

A associação de defesa dos consumidores apontou, ainda assim, que tal “prática não é uma fraude se a informação que consta da rotulagem do produto e da etiqueta do preço estiver correta”. Ou seja, apenas estaremos perante um caso de “fraude sobre mercadorias se a quantidade efetiva for inferior àquela que é indicada na embalagem ou na etiqueta do preço de venda afixado no estabelecimento comercial”.

Por todas estas razões, “o consumidor deve estar alerta, guardar provas (talões e embalagens) e manifestar o seu desagrado às empresas com práticas pouco éticas”.

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Avaliação do Polígrafo:

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