O primeiro jornal português
de Fact-Checking

Comissão Parlamentar de Saúde tem vários deputados “ligados a interesses privados” no setor da Saúde?

Política
Este artigo tem mais de um ano
O que está em causa?
O ex-candidato à Presidência da República e atual presidente da associação Frente Cívica, Paulo Morais, denuncia através de uma publicação no Facebook que há vários deputados "ligados a interesses privados" na Comissão Parlamentar de Saúde. Como tal, questiona: "Terão estes deputados legitimidade para votar (ou sequer discutir) livremente a Lei de Bases da Saúde?" Verificação de factos, solicitada por leitores do Polígrafo.

Na sua página na rede social Facebook, Paulo Morais (ex-candidato à Presidência da República, cabeça-de-lista do partido Nós Cidadãos nas mais recentes eleições para o Parlamento Europeu e atual presidente da associação Frente Cívica) publicou ontem uma mensagem denunciando a existência de vários deputadosligados a interesses privados” na Comissão Parlamentar de Saúde.

“Informo, com vergonha alheia, que, na Comissão Parlamentar de Saúde, estão ligados a interesses privados os deputados António Sales (PS, Grupo Sanfil), Fátima Ramos (PSD, ADFP), Isabel Galriça Neto (CDS, Luz Saúde), Isaura Pedro (PSD, Clínica Doutor Benjamim Pedro), José António Silva (PSD, João Pedro & José António Silva), Maria Antónia Almeida Santos (PS, Fundação Renal Portuguesa), Ricardo Baptista Leite (PSD, Fundação Renal Portuguesa)”, escreveu Morais.

 

 

No final da mensagem, Morais lança várias questões: “Irão estes senhores defender o Serviço Nacional de Saúde? Terão estes deputados legitimidade para votar (ou sequer discutir) livremente a Lei de Bases da Saúde? Como permitiram o Presidente da Assembleia da República e a Subcomissão de Ética do Parlamento ter-se chegado a esta vergonha?”

Leitores do Polígrafo solicitaram uma verificação de factos relativamente a esta publicação. Nesse âmbito vamos cingir-nos à seguinte questão: É verdade que na Comissão Parlamentar de Saúde há vários deputados “ligados a interesses privados” no setor da Saúde?

No que respeita a António Sales, deputado do PS e, aliás, coordenador do Grupo Parlamentar do PS na Comissão de Saúde, declara no seu registo de interesses que exerce “medicina privada na clínica de S.Francisco em Leiria e em consultório pessoal“, em simultâneo com a atividade de deputado. O Centro Hospitalar de S. Francisco é uma unidade de saúde privada, integrada no Grupo Sanfil, tal como Morais indica na sua publicação.

Quanto a Fátima Ramos, deputada do PSD e membro efetivo da Comissão de Saúde, declara no seu registo de interesses que acumula o mandato de deputada à Assembleia da República com a “prestação de serviços na Fundação ADFP, como coordenadora. Esta prestação de serviços inclui também atividade de diretora no HSL- Hotel Parque Serra da Lousã. Empresa cujo capital social é 100% detido pela Fundação ADFP”.

Ora, a Fundação ADFP (Assistência, Desenvolvimento e Formação Profissional) é uma Instituição de Solidariedade Social, sem fins lucrativos, com estatuto de utilidade pública e sediada em Miranda do Corvo. Entre as diversas áreas de atividade da Fundação ADFP, “no setor da Saúde, a instituição responde a 228 pessoas, através das Unidades de Cuidados Continuados de Média e Longa Duração e da Clínica de Fisioterapia e Reabilitação“.

 

No final da mensagem, Morais lança várias questões: “Irão estes senhores defender o Serviço Nacional de Saúde? Terão estes deputados legitimidade para votar (ou sequer discutir) livremente a Lei de Bases da Saúde? Como permitiram o Presidente da Assembleia da República e a Subcomissão de Ética do Parlamento ter-se chegado a esta vergonha?”

 

Por sua vez, Isabel Galriça Neto, deputada e coordenadora do Grupo Parlamenta do CDS-PP na Comissão de Saúde, declara no seu registo de interesses que acumula as funções de “médica no Hospital da Luz“, unidade de saúde privada do Grupo Luz Saúde, tal como Morais aponta.

O mesmo se aplica aos restantes deputados identificados por Morais, com ligações mais ou menos evidentes a “interesses privados” no setor da Saúde. Conclui-se assim que a publicação em análise veicula informação verdadeira, embora desenvolvendo também interpretações subjetivas que não se enquadram no perímetro da verificação de factos.

Avaliação do Polígrafo:

 

Partilhe este artigo
Facebook
Twitter
WhatsApp
LinkedIn

Relacionados

Em destaque