Cristina Seguí utilizou a sua conta pessoal de Twitter, onde é frequente fazer publicações polémicas, para divulgar alegadas informações exclusivas sobre um antigo ministro da Defesa espanhol, o socialista José Bono, e a deputada do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua.

Na longa sequência de 20 tweets houve tempo para tudo, inclusive para divulgar os supostos dados bancários de José Bono e Mariana Mortágua. A aparente precisão da investigação e conhecimento sobre os visados não foram, no entanto, suficientes para que Seguí acertasse no nome da deputada: mesmo com dados pessoais, a espanhola repetiu por diversas vezes o mesmo erro, escrevendo Mariana Mortedeagua ao invés de Mariana Mortágua.

Segundo Cristina Seguí, havia dinheiro a ser transportado e entregue a Bono e a Mortágua, na sequência de "comissões de 'proteção' concedidas por Ricardo Espírito Santo".

Além de ser acusada de estar envolvida em tráfico de dinheiro vindo de Angola e da Odebrecht, conglomerado empresarial brasileiro, para financiar o BE e o Podemos, em Espanha, Mortágua é ainda personagem principal da narrativa de Seguí, que afirma que o dinheiro era entregue em mãos numa "mochila da Nike" a uma jovem espanhola no El Corte Inglês, em Lisboa, e que a jovem estava acompanhada pela deputada do BE.

André Ventura, líder do partido Chega, não demorou a republicar o post da comentadora espanhola. "Uma jornalista espanhola acusa Mariana Mortágua, do Bloco de Esquerda, e um ex-ministro da defesa espanhol, de receberem dinheiro do BES de Ricardo Salgado. Dá números de conta e detalhes de encontros. Isto é grave demais", escreveu o deputado este domingo.

Ora, Mariana Mortágua, além de economista e vice-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito à gestão do BES e do Grupo Espírito Santo, disponibilizou ao longo de vários meses, durante os anos de 2014 e 2015, notas a investigação ao banco português. No seu blogue pessoal, "Disto Tudo", a deputada expôs informação pormenorizada acerca da gestão do grupo, que foi então, segundo o BE, aproveitada pela investigação aos crimes que afundaram as contas do banco. Com um trabalho reconhecido internacionalmente, Mortágua foi uma das mais temidas deputadas nas audições a Ricardo Salgado, a quem disse a conhecida frase: “O dono disto tudo passou a vítima disto tudo”.

Há cerca de um mês, a revista Visão publicava um perfil de Cristina Seguí, classificando-a como antifeminista, anticomunista (posições que a espanhola assume na sua biografia), "amplificadora de teses conspirativas e fake news" e "antiga coqueluche do partido espanhol de extrema-direita 'Vox'".

Segundo o mesmo artigo, Seguí utiliza o seu canal de Youtube e a sua conta pessoal de Twitter para fazer comentários diários a figuras políticas, nomeadamente portuguesas: Paulo Portas, Pedro Filipe Soares, Pacheco Pereira, Ana Gomes, Mariza Matias, Catarina Portas, Francisco Louçã e Carmo Afonso também já foram visados em tweets da comentadora.

Na sequência das referidas acusações, Mariana Mortágua já fez questão de afirmar publicamente que irá processar o presidente do Chega, André Ventura, e Cristina Seguí. Ambos por difamação.

"Ventura e Seguí vão responder em tribunal por difamação. Mesmo ridícula, uma calúnia é uma calúnia", escreveu a dirigente e deputada do Bloco de Esquerda no Twitter, dando a entender que desmente toda e qualquer acusação de que foi alvo.

___________________________________

Avaliação do Polígrafo:

Assina a Pinóquio

Fica a par de todos os fact-checks com a newsletter semanal do Polígrafo.
Subscrever

Recebe os nossos alertas

Subscreve as notificações do Polígrafo e recebe todos os nossos fact-checks no momento!

Em nome da verdade

Segue o Polígrafo nas redes sociais. Pesquisa #jornalpoligrafo para encontrares as nossas publicações.
Verdadeiro
International Fact-Checking Network