"Vejam só como está a água da Barragem do Caia, cheia de químicos e até cheiral mal. As autoridades não vêem isto? Nem puxam ninguém à responsabilidade. Só se estiveres à pesca é que te vão chatear a pedir a licença, enfim", descreve-se no post de 5 de abril no Facebook, partilhado entretanto por centenas de pessoas.

O Polígrafo questionou a Associação Beneficiários do Caia (ABCaia), organização sem fins lucrativos, tutelada pelo Ministério da Agricultura, que tem a seu cargo a gestão, a exploração e a conservação  do Aproveitamento Hidroagrícola do Caia.

Confrontado com as imagens em causa, José Rodrigues, gerente da ABCaia, assegura que não se trata de descargas poluentes. Ao longo dos últimos quatro anos, o nível de água da barragem desceu. Este Inverno, devido à quantidade de chuva que se verificou nesta zona, houve uma subida de cinco ou seis metros do nível da água. Ou seja, tudo o que é verde, ao ficar debaixo de água, apodreceu. Ao apodrecer, vem ao de cima. E o vento junta as microalgas e acaba por fazer aquela mancha azul e verde".

"As pessoas é que têm uma memória curta. Cada vez que há uma subida de água desta dimensão, esta mancha aparece sempre, é bom sinal", realça.

Por sua vez, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) já tinha sido informada sobre esta situação na albufeira da Barragem do Caia no dia 8 de abril, através do Destacamento Terrotorial de Elvas da Guarda Nacional Republicana (GNR). Em resposta ao Polígrafo, a APA indica que "o aspeto visual da superfície da água da albufeira do Caia, afigura tratar-se de uma florescência de cianobactérias, organismos fitoplanctónicos presentes em todas as massas de água superficiais de Portugal, podendo desenvolver-se abundantemente em águas doces com elevadas cargas de nutrientes".

Em resposta ao Polígrafo, a APA indica que "o aspeto visual da superfície da água da albufeira do Caia, afigura tratar-se de uma florescência de cianobactérias, organismos fitoplanctónicos presentes em todas as massas de água superficiais de Portugal, podendo desenvolver-se abundantemente em águas doces com elevadas cargas de nutrientes".

"São fatores que potenciam o seu desenvolvimento: a luminosidade, as temperaturas elevadas e a abundância nutrientes, o que se verificou no final de março último, com registo de temperaturas elevadas para a época e disponibilidade de nutrientes, na sequência do Inverno particularmente chuvoso que se registou no presente ano hidrológico (2020/2021) e que foram arrastados da bacia hidrográfica drenante para a albufeira do Caia, pela escorrência dos terrenos envolventes e pelo escoamento natural dos cursos de água a ela afluentes", explica.

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"A coloração azul clara-esverdeada das manchas visíveis à superfície do plano de água desta albufeira é típico da ocorrência de florescências de cianobactérias, isto é, concentração elevada destes organismos", assegura a APA, concluindo que "as manchas em causa possuem causa natural e não implicam fenómenos de poluição hídrica".

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

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