A Coca-Cola disponibilizou recentemente no seu site a possibilidade de personalização das suas latas, onde o cliente pode selecionar o logótipo, a decoração de acordo com o evento ou ocasião e a colocação de um nome ou de uma frase.
Todas as personalizações passam por um processo de aprovação por parte da marca, do qual o cliente depois é notificado se o seu pedido foi aprovado ou não. A medida gerou, no entanto, críticas na rede social X por, alegadamente, se proibir a utilização do nome “Jesus“, mas permitir “Allah”.
“Aparentemente, a Coca-Cola não apoia seus clientes cristãos. É permitido colocar qualquer nome religioso na sua lata personalizada, exceto Jesus. Só isso já deveria ser motivo para boicotar a Coca-Cola. Por que deveríamos apoiar uma empresa que é anticristã?”, lê-se no tweet.
A acompanhar a alegação é apresentada uma imagem com a lata personalizada com a frase “Allah ama-te” e outra a indicar que não é possível personalizar a lata com a frase “Jesus ama-te”.
Mas será que a referência a Allah foi permitida enquanto a de Jesus não foi?
Não. Ao contrário do que o post alega, “Allah ama-te” não é permitido. A imagem exibida não tinha ainda sido aprovada, como se pode verificar pela frase “a aguardar aprovação” sobreposta sobre a lata. Esta acabou por ser rejeitada, à semelhança da lata com referência a “Jesus”, visto que não são permitidas figuras religiosas, celebridades, países ou algo que possa ser considerado ofensivo, tal como é referido durante o processo de personalização.
É possível confirmar isso mesmo se colocar as duas referências no site e uma que não tenha a palavra “Jesus” ou “Allah”. Constatará que no caso das referências religiosas, estas ficam a “aguardar aprovação” – sendo posteriormente rejeitadas – e no caso de ausência destas referências a lata personalizada é automaticamente aprovada.
Assim, a alegação do post em questão é falsa, tendo em conta que ambas as referências religiosas não são permitidas.
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Este artigo foi desenvolvido pelo Polígrafo no âmbito do projeto “Geração V – em nome da Verdade”, uma rede nacional de jovens fact-checkers. O projeto foi concretizado em parceria com a Fundação Porticus, que o financia. Os dados, informações ou pontos de vista expressos neste âmbito, são da responsabilidade dos autores, pessoas entrevistadas, editores e do próprio Polígrafo enquanto coordenador do projeto.
*Texto editado por Marta Ferreira.
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Avaliação do Polígrafo:

