“Peço um minuto de silêncio pela alma do jornalista da CNN Bernie Gores, morto em 2021 pelos taliban, depois morto em Beirute, depois na Jordânia e agora novamente em 2022 pelas tropas russas. Pelo amor de Deus, não deixem que o matem mais. Chega!”, escreve-se em várias publicações partilhadas nas redes sociais.

Em causa está a circulação de duas capturas de ecrã de contas no Twitter, alegadamente pertencentes à CNN Ucrânia e à CNN Afeganistão, nas quais terá sido reportada a morte do suposto jornalista Bernie Gores. Num dos posts diz-se que o repórter morreu às mãos dos taliban, enquanto no outro se garante que morreu no conflito entre a Rússia e a Ucrânia.

A informação partilhada é verdadeira?

Não, a informação veiculada no post é totalmente falsa e há vários sinais que permitem chegar a essa conclusão. Desde logo, as contas de Twitter mencionadas não pertencem à CNN. Além disso, o homem que aparece nas imagens não se chama Bernie Gores, não é jornalista da CNN e não há sequer registo de que tenha morrido.

Quanto às contas “@CNNAfghan” e “@CNNUKR”, ambas as páginas estão suspensas pelo Twitter por violarem as regras da plataforma e, enquanto estavam ativas, não incluíam o símbolo de verificação, ao contrário de todas as outras contas ligadas à estação televisiva norte-americana.

O Polígrafo fez ainda uma pesquisa pelo nome “Bernie Gores” nas contas de Twitter da CNN relativas a vários países e não encontrou nenhuma referência ao suposto jornalista. No site da estação televisiva também não há nenhum artigo assinado com esse nome nem nenhuma nota de pesar sobre a morte do alegado repórter.

A pessoa retratada nas fotografias é, na verdade, o criador de conteúdos sobre videojogos para a Twitch e para o YouTube Jordie Jordan. A fotografia do streamer (nome utilizado para denominar um criador de conteúdos digitais que faz gravações e transmissões ao vivo na Internet) utilizada na publicação é a mesma divulgada na página não oficial sobre perfis de YouTubers Wikitubia.

O Polígrafo consultou o canal do YouTube com mais de 400 mil subscritores, a 5 de abril de 2022, e verificou que o último vídeo tinha sido publicado há menos de 24 horas, mais uma prova de que o homem representado na fotografia está vivo.

Em suma, toda a informação divulgada no post, desde a autenticidade das páginas da CNN mencionadas até à identidade do homem representado na imagem, é totalmente falsa.

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