Este esquema publicado nas redes sociais pretende demonstrar que o Benfica terá um lucro muito menor do que aquele que se pode supor, atendendo ao montante já garantido pela transferência de Darwin Nuñez para o Liverpool (75 milhões de euros que podem, no caso de serem atingidos alguns objetivos de desempenho, chegar aos 100 milhões).

No topo, está o valor que o Benfica pagou ao Almería (clube espanhol) pela contratação de Darwin Nuñez, em setembro de 2020. Os 24 milhões de euros indicados correspondem à verdade.

Na linha seguinte, a transferência dos "encarnados" de Lisboa para os de Liverpool, que depois se subdivide nos montantes compensatórios que o Benfica terá de ceder aos vários intervenientes na carreira e transferência do jogador uruguaio:

10 milhões de euros ao Almería – comissão devida ao clube da Andaluzia pela mais-valia da venda do passe do jogador (acordada no contrato de transferência de Espanha para Portugal). Em 2020, os dois clubes estabeleceram que o Almería seria remunerado em 20 por cento do lucro de uma futura eventual transação, com um teto de 10 milhões (atingido). Verdadeiro

5 milhões de euros a Edgardo Lasalvia (ex-empresário de Nuñez) – esta comissão tem sido frequentemente referida em vários meios, mas o Benfica não assume esse ónus, conforme se percebe pelo comunicação da transferência que dirigiu à CMVM. Pagando a comissão ao novo empresário de Nuñez/agente que mediou a operação (Jorge Mendes), o clube da Luz sente-se desobrigado a assumir qualquer outra despesa relativa à intermediação do negócio, caso contrário, ver-se-ia na insólita circunstância de remunerar o anterior e o atual empresário (pelo menos o que concretizou a transação). Recorde-se que Darwin Nuñez deixou de ser representado pelo seu compatriota em abril passado. Falso

3,75 milhões de euros ao clube formador – o símbolo do Peñarol (clube uruguaio onde o ex-avançado do Benfica atuou até ir para Espanha) é utilizado para identificar o beneficiário do obrigatório montante relativo ao mecanismo de solidariedade, que visa compensar os emblemas onde os jogadores se formaram. Esta regra da FIFA (páginas 33 e 85) cativa até 5 por cento da transferência de um atleta para ser distribuída pelos clubes onde jogou até aos 23 anos, segundo coeficientes específicos por idade. Neste caso, são devidos 2,25M ao Peñarol (que representou até aos 20 anos) e 375 mil euros ao Almería (entre os 20 e os 21 anos). Total de 2,625M. Impreciso

7,5 milhões de euros a Jorge Mendes (empresário que operou a transferência) – A prática em muitos negócios é onerar em 10 por cento o empresário que intermedeia a mudança de clube. Este foi também o caso na mudança de Nuñez de Lisboa para Liverpool. A comissão inside somente nos valores líquidos (mecanismo de compensação substraído). Neste caso, será 10 por cento de 72.375M (75M menos 2,625M), ou seja, 7,237M. Verdadeiro

Somando o que deve ser abatido ao lucro do Benfica:

24M + 10M + 2,625M + 7,237 = 43,862M de euros

Após o abate:

75M – 43,862M = 31,138M de euros

Verifica-se assim que, apesar da ordem de grandeza dos valores indicados na publicação ser aproximar da real, os seus montantes são imprecisos, registando uma diferença que ronda os 6,4 milhões de euros.

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