"Lembrete diário de que os cigarros também têm a aprovação da FDA", afirma-se em várias publicações em língua inglesa no Facebook. Estes posts referem-se à aprovação definitiva da primeira vacina contra a Covid-19 pela Autoridade do Medicamento dos Estados Unidos (FDA).

A 12 de dezembro de 2020, a FDA aprovou uma autorização de utilização de emergência da vacina BioNTech-Pfizer. Alguns dias depois, a 21 de dezembro, foi a vez da Agência Europeia do Medicamento (EMA) dar luz verde à mesma vacina, nos mesmo termos de aprovação excecional.

Mais recentemente, a 23 de agosto de 2021, os EUA aprovaram em definitivo a vacina da Pfizer, dando o completo aval para que seja administrada a maiores de 16 anos. "Embora milhões de pessoas já tenham recebido as vacinas contra a Covid-19 com segurança reconhecemos que, para alguns, a aprovação de uma vacina pela FDA pode agora inspirar confiança adicional para serem vacinados", afirmou Janet Woodcock, porta-voz do regulador norte-americano.

Assim, terá sido a recente aprovação permanente desta vacina contra a Covid-19 que gerou esta onda de afirmações nas redes sociais a indicar que também os cigarros se encontravam aprovados pela FDA. Mas a alegação é falsa.

Esta questão já foi analisada pelo jornal americano de fact-checking "PolitiFact" que começa por referir as atribuições do regulador. De acordo com a informação disponível no site desta entidade: "A FDA é responsável por proteger a saúde pública ao garantir a proteção, segurança e a eficácia de alimentos, medicamentos, cosméticos, equipamentos médicos e outros produtos."

Indica-se ainda que regula "a produção, publicidade e a distribuição de produtos de tabaco, incluindo de cigarros eletrónicos. No entanto, esta regulação não pressupõe qualquer tipo de aprovação pela entidade, tal como acontece com medicamentos ou vacinas. Tal como a própria FDA esclarece, esta "não aprova produtos de tabaco". Para o regulador, "não existe o conceito de produtos de tabaco seguros" e, assim, "os padrões para avaliar a segurança de produtos médicos não é apropriado para produtos de tabaco".

De facto, para se vender ou distribuir tabaco e equivalentes nos EUA é necessária uma aprovação de venda oficial da FDA, no entanto, tal como é explicado, "esta aceitação do pedido de venda não indica que estes produtos sejam seguros ou que fiquem aprovados, apenas significa que o fabricante cumpriu os regulamentos e a lei para vender os produtos no mercado".

Por sua vez, a regulação de vacinas é completamente distinta. A vacina da Pfizer contra a Covid-19 foi testada em múltiplos ensaios clínicos que incluíram dezenas de milhares de indivíduos, só depois disto é que a FDA aprovou em definitivo a vacina. Antes disso, a vacina já tinha sido considerada como segura e com eficácia através da autorização de emergência concedida em dezembro, agora, com a aprovação permanente, poderá permanecer no mercado após esta situação de emergência de saúde pública.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

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