São várias as publicações partilhadas nas redes sociais sobre o suposto homicídio de Andreas Noack. As alegações são apresentadas num vídeo que tem cerca de 18 minutos. Noack, que é apresentado como um cientista químico especialista em carbono, terá sido “assassinado recentemente, dias após a publicação de um vídeo sobre grafeno nas vacinas”. “Cinco dias após essa publicação, um parente publicou um outro vídeo relatando que ele foi assaltado e assassinado”, prosseguem os autores.

No decorrer do clip é ainda referido que a polícia alemã invadiu a casa do químico alemão durante uma transmissão em direto, uma situação que é usada para argumentar que o Governo estaria a tentar silenciá-lo.

Será esta história verdadeira?

Não. Não só as alegações presentes nesta publicação são falsas, como existem referências a acontecimentos sem contextualização.

De facto, Andreas Noack faleceu a 26 novembro de 2021, em Carintia, na Áustria, mas não foi assassinado. No dia seguinte à sua morte, a mulher de Noack publicou um vídeo no canal de Telegram que o marido criou para partilhar os seus conteúdos negacionistas, dizendo, em alemão, que ele tinha sido “fortemente atacado”, segundo a tradução feita pelo "Lead Stories", e que o ataque foi “sorrateiro e inesperado”.

Segundo o Politifact, foi com base nesta publicação que começou a ser partilhado que Andreas Noack tinha sido assassinado depois de ter publicado a sua investigação sobre as vacinas contra a Covid-19, num vídeo divulgado na BitChute, uma plataforma onde são partilhados conteúdos de desinformação e discurso de ódio.

A 29 de novembro, a mulher de Noack publicou uma segunda gravação onde clarifica que o marido foi vítima de um ataque cardíaco. Conta ainda que Noack caiu no chão, em casa, e que foi transportado para um hospital na cidade austríaca de Wolfsberg. Também as autoridades policiais avançaram a um jornal regional que Andreas Noack morreu de causas naturais.

O vídeo em análise apresenta ainda informações descontextualizadas sobre as buscas policiais realizadas ao apartamento de Andreas Noack, quando este estava a fazer uma emissão em direto para as redes sociais. Este momento aconteceu em novembro de 2020, na Alemanha, ou seja, um ano antes da sua morte.

Na altura, a Polícia de Mittelfranken, na Alemanha, partilhou na rede social Twitter uma publicação onde afirmava que “a operação policial não foi dirigida contra o operador do streaming” e que não havia qualquer relação com a pandemia. Ao contrário do que está a ser partilhado, Noack não foi detido, uma vez que as autoridades estavam à procura de “outra pessoa que se encontrava no mesmo edifício”, cita a EFE.

Depois de terem começado a ser partilhadas as alegações de que Noack tinha sido assassinado, as autoridades esclareceram, a 30 de novembro de 2021, que não houve “nenhuma circunstância conhecida da polícia no qual um homem tenha morrido após um assalto no distrito de Fürth”.

E quanto à alegação de que existe grafeno nas vacinas?

Também as afirmações de Andreas Noack são falsas: não existem provas de que exista qualquer forma de grafeno nas vacinas produzidas pela Pfizer. No vídeo que o químico publicou dias antes de morrer, Noack cita um estudo publicado por um professor da Universidade de Almería, em Espanha, mas a própria instituição afirma que a investigação carece de rigor científico.

O hidróxido de grafeno também não está presente na lista de ingredientes que a farmacêutica entregou às entidades reguladoras como o Centro norte-americano de Controlo e Prevenção de Doença (CDC, na sigla inglesa) ou a Agência Europeia do Medicamento (EMA). Também as restantes vacinas – da Moderna e da Johnson & Johnson – não têm qualquer referência de conter óxido de grafeno. Ao Politifact, Jerica Pitts, porta-voz da Pfizer, garante que esta substância não faz parte da composição das vacinas.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

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