O vídeo tem apenas 29 segundos e é acompanhado por uma afirmação que parece pertencer ao mundo da ficção científica: “A China lançou o novo Sol artificial”. Nas imagens, que rapidamente se tornaram virais nas redes sociais, parece ver-se uma bola de luz que sobe em direção ao céu. O vídeo mostra ainda dezenas de pessoas a fotografar ou a filmar o momento.

Mas o que se passou na realidade?

Não, a China não lançou um “Sol artificial”. O vídeo em questão – apesar de não ter qualquer referência à data ou o local onde foi captado – mostra o momento em que foi lançado um foguetão, segundo avança a plataforma de fact-checking indiana Alt News. Trata-se do lançamento do rocket Long March 7A, a partir do Wenchang Satellite Launch Center, no dia 23 de dezembro de 2021. O foguetão tem 60,7 metros de comprimento e 3,35 de diâmetro, sendo o rocket mais longo alguma vez produzido pela China.

Mas como é que um foguetão de formato cilíndrico aparenta ser uma bola de fogo nas filmagens?

A resposta está no modo de funcionamento da câmara fotográfica. Quando se utiliza o telemóvel para fotografar ou filmar durante a noite, a câmara é forçada a aumentar a sensibilidade do sensor – chamado ISO – para compensar a redução de luz. No entanto, quando se filma um evento que emite uma grande quantidade de luz – como é o caso do lançamento de um foguetão – a câmara não tem capacidade de captar com precisão o objeto luminoso, transformando-o num enorme ponto de luz. É isso que se vê neste vídeo.

Mas as associações feitas ao “sol artificial” têm uma razão: a China tem em curso um projeto científico chamado Experimental Advanced Superconducting Tokamak (ESAT) que tem como objetivo vir a criar uma fonte de energia inesgotável na Terra, através da replicação do processo de fusão nuclear que ocorre no Sol. Por essa razão, o EAST passou a ser conhecido como “sol artificial”. Este reator nuclear está localizado no Southwestern Institute of Physics, em Chengdu, na Província de Sichuan.

Recentemente, o reator de fusão nuclear conseguiu manter a temperatura de 70 milhões de graus Celsius durante 1056 segundos, um avanço científico que foi noticiado pela agência Xinhua News Agency – uma agência noticiosa chinesa com ligações ao Governo. Os cientistas envolvidos no projeto acreditam que esta conquista, apesar de pequena, coloca o projeto mais perto de se tornar uma fonte de energia ilimitada e verde.

“Nós alcançamos uma temperatura de plasma de 120 milhões de graus Celsius durante 101 segundos numa experiência no primeiro semestre de 2021. Desta vez, a operação de plasma em estado estacionário foi mantida por 1056 segundos a uma temperatura próxima de 70 milhões de graus Celsius, estabelecendo uma sólida base científica e fundamento experimental para o funcionamento de um reator de fusão”, explica Gong Xianzu, investigador no Plasma Physics of the Chinese Academy of Sciences, em declarações à Xinhua News Agency.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

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