No discurso de consagração enquanto líder do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos, o novo líder hoje eleito pelas bases do partido, definiu uma série de prioridades na sua ação. Entre elas contam-se a melhoria dos cuidados de saúde, o choque fiscal, a reforma do sistema eleitoral ou o fim dos privilégios “dos mais poderosos”. Todas áreas importantes, mas algo convencionais nestas ocasiões.

A única das propostas que o próprio Francisco Rodrigues dos Santos definiu como “revolucionária” foi a nova política de comunicação do partido, que se tornará “moderno nas formas de comunicar, abrindo canais de interlocução” com a sociedade e como os eleitores. Em resumo: o partido tornar-se-á, nas palavras de Rodrigues dos Santos, “sexy”.

No congresso – e fora dele - a expressão “sexy” aplicada ao CDS soou familiar. Terá sido o jovem líder de 31 anos a aplicá-la pela primeira vez ou trata-se de uma solução retórica com direitos de autor?

A resposta é a segunda. Quem “inventou” a expressão foi António Pires de Lima, ex-ministro da Economia e militante histórico do partido (que o apupou no decorrer do congresso que este fim-de-semana decorreu em Aveiro). Foi em 23 de março de 2006 que, numa entrevista à revista Visão – e numa altura em que o partido procurava afirmar-se na oposição ao Governo maioritário de José Sócrates – o agora gestor afirmou: “O CDS deve tornar-se num partido mais sedutor, atrativo e sexy.” O alvo de Pires de Lima tinha um nome: José Ribeiro e Castro, o líder de então, que os portistas consideravam excessivamente “boring” e confessional.

Quem “inventou” a expressão foi António Pires de Lima, ex-ministro da Economia e militante histórico do partido (que o apupou no decorrer do congresso que este fim-de-semana decorreu em Aveiro). Foi em 23 de março de 2006 que, numa entrevista à revista Visão

Depois disso, Pires de Lima já recorreu à expressão por diversas vezes. Dois exemplos:

Em 2007, numa entrevista ao Expresso, afirmou que “ser liberal é uma parte de um partido atrativo. Se o CDS quiser ser um partido cativador, ou sexy, terá que valorizar as diferenças e abrir espaço dentro de si para diferentes correntes de opinião”.

Oito anos depois, em 2015, já com o CDS a partilhar as rédeas do Executivo com o PSD de Pedro Passos Coelho, afirmou ao jornal I, a apropósito do período em que reclamou mais “sensualidade” para o partido: “Sempre gostei de ser provocador na política – chamava a atenção: para a necessidade de o partido ser sexy. O CDS nos últimos anos, nestas matérias, tornou-se um partido bastante mais amigo da liberdade dos outros.”

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