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Chega acusa farmacêuticas de lucrar com a pandemia, mas votou contra levantamento das patentes em 2021?

Política
O que está em causa?
Rita Matias está certa de que há um pacto entre a OMS e a indústria farmacêutica para que a última lucre "pornograficamente" com pandemias e pestes mundiais. A deputada do Chega falou ontem à tarde na Assembleia da República sobre o "tratado pandémico", a que o Chega não quer que Portugal adira, e lembrou os "lucros" das farmacêuticas durante a Covid-19. Isabel Pires lembraria, logo depois, que o partido de Matias votou contra o levantamento das patentes. É verdade?
© José Sena Goulão/Lusa

Pela “não adesão ao tratado pandémico, Rita Matias subiu esta terça-feira ao púlpito da Assembleia da República, onde descredibilizou a Organização Mundial da Saúde (OMS) e falou de “interesses globalistas obscuros”.

“Confesso que fico estupefacta com o silêncio das bancadas da esquerda e da extrema-esquerda, que vivem para combater o lucro, para combater o capital, mas que neste tópico são incapazes de assumir que a OMS depende cada vez mais de fundações, corporações e instituições ligadas à indústria farmacêutica. Não vos parece que há conflito de interesses?”, questionou a deputada. Mais à frente no discurso, Matias até falou nos “lucros pornográficos” das farmacêuticas durante o período da Covid-19, uma menção que não escaparia a Isabel Pires, deputada do Bloco de Esquerda, na intervenção seguinte.

Ao Chega, a bloquista apontou duas características: mentira e hipocrisia. Mentira sobre os efeitos das vacinas da Covid-19 (Matias mencionou, por exemplo, o “excesso de mortalidade”); e hipocrisia uma vez que, preocupados com os lucros milionários das farmacêuticas, os deputados do partido de direita radical não votaram favoravelmente, em 2021, a proposta do Bloco de Esquerda que levantava as patentes sobre as vacinas da Covid-19. É verdade?

Sim. A decisão, no entanto, coube apenas a André Ventura, já que em 2021 o Chega ainda era representado no Parlamento apenas pelo seu líder. O projeto de  Resolução 1072/XIV/2, discutido em abril de 2021 na AR, recomendava ao Governo que defendesse “o levantamento das patentes das vacinas contra a Covid-19, tornando-as um bem público e universal”. Os signatários bloquistas pretendiam acautelar “algo essencial”: que a inoculação fosse um “bem público acessível a todas as populações de todos os países”.

“As vacinas, em vez de estarem a ser usadas para o bem público, estão a ser usadas para os acionistas da Pfizer, da Moderna e de outras empresas terem uma generosa distribuição de dividendos nos anos de 2020 e de 2021“, lê-se no documento apreciado na AR. O Chega, assim como o PS, PSD, CDS-PP, IL e até Cristina Rodrigues (então deputada não inscrita) votaram contra. A esquerda (PCP, PAN, PEV e Joacine Katar Moreira, não-inscrita) votou a favor, mas não foi suficiente para aprovar o projeto. 

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Avaliação do Polígrafo:

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