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Chefe de gabinete de Galamba trabalhou no gabinete de Sócrates e em todos os governos PS das últimas três décadas?

Política
Este artigo tem mais de um ano
O que está em causa?
Eugénia Correia Cabaço foi uma das protagonistas do dia de ontem na Comissão Parlamentar de Inquérito à Tutela Política da Gestão da TAP, já que esteve no centro dos acontecimentos ocorridos no Ministério das Infraestruturas na noite de 26 de abril. O percurso como adjunta e chefe de gabinete em sete governos.

Maria Eugénia Correia Cabaço chegou aos gabinetes governamentais em 1996, quando estava a menos de 1 mês de completar 29 anos. Integrou, em junho desse ano, como assessora, o gabinete do secretário de Estado da Administração Local e do Ordenamento do Território, José Augusto de Carvalho , no primeiro governo de António Guterres (o XIII Constitucional). Na altura, tinha como experiência profisisonal relevante a docência na Faculdade de Direito de Lisboa (entre 1991 e 1994).

No segundo Governo de Guterres (XIV Constitucional), continuou nas mesmas funções e com o mesmo secretário de Estado até ao final de janeiro de 2000. Nesse momento, mudou para o ministério comandado por José Sócrates, mais propriamente para assessora do secretário de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza, Pedro Silva Pereira.

Nos três anos de governação da maioria PSD-CDS (Durão Barroso e depois Pedro Santana Lopes), Eugénia Cabaço trabalhou como jurista na Caixa Geral de Depósitos (CGD). A vitória de José Sócrates sobre Pedro Santana Lopes, em fevereiro de 2005, abriu de novo as portas do poder à atual chefe de gabinete do ministro das Infraestruturas. No primeiro Executivo de Sócrates (2005-2009) trabalhou mesmo diretamente com o primeiro-ministro, como assessora do seu gabinete.

No Governo seguinte (o XVIII), também liderado por José Sócrates e que cairia ao fim de menos de ano e meio (demissão seguida de gestão corrente), Eugénia Cabaço  transitou de gabinete e subiu na hierarquia governamental: passou para chefe do gabinete da secretária de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades, Fernando do Carmo.

Em nova pausa na governação socialista – entre 2011 e 2015, com Pedro Passos Coelho em São Bento –, Eugénia cabaço voltou à CGD e às funções de jurista.

Com o regresso dos socialistas à governação, Eugénia Cabaço voltou a ter como local de trabalho os gabinetes ministeriais. Desta vez, nas Finanças, com Mário Centeno, na qualidade de adjunta. Ficou apenas 14 meses, já que em fevereiro de 2017 ingressou na Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos, como assessora do Conselho de Administração.

Porém, o poder executivo voltaria a chamá-la ainda durante o mesmo Executivo (o primeiro) de António Costa. Em outubro de 2018, João Galamba entrou para o Governo (secretário de Estado da Energia) e convida-a para as funções de adjunta.

Eugénia Cabaço passaria, desde aí, a trabalhar sempre diretamente como Galamba. Em outubro de 2019, já no segundo Governo de António Costa (2019-2022) e ainda no Ministério do Ambiente e da Transição Energética, é promovida a chefe de gabinete (ainda do secretário de Estado e da Energia) e, quando João Galamba substitui Pedro Nuno Santos e passa a ser Ministro das Infraestruturas, acompanha-o na mudança de ministério, mantendo-se como sua chefe de gabinete (agora de um ministro). São essas as funções que desempenha atualmente e no quadro das quais esteve envolvida nos incidentes da noite de 26 abril, bem como em todo o processo decorrido nesse mês.

Assim, é verdadeiro que a atual chefe de gabinete de João Galamba esteve em todos os governos do PS das últimas três décadas (desde 1996), ou seja, em sete executivos, com três primeiros-ministros.

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