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“Chatbot” do portal de serviços públicos, “pago com o PRR”, não sabe responder a perguntas básicas?

Sociedade
Este artigo tem mais de um ano
O que está em causa?
Não tem nome, mas tem cara, move-se e responde às suas dúvidas sobre a chave móvel digital. Isto, claro, se as formular exatamente como este "chatbot" espera que faça. As queixas são principalmente estas, duas semanas depois de o Governo ter lançado este programa de inteligência artificial generativa que, questionado sobre praticamente tudo, não responde a quase nada.

“A assistente virtual para informações sobre a Chave Móvel Digital (CMD) está pronta para responder às suas questões sobre como ativar, desbloquear, alterar dados, cancelar ou usar a assinatura digital”. São estas as palavras de boas-vindas que lhe dá o novo chatbot inteligente do portal dos serviços públicos (eportugal.gov.pt), lançado a 26 de maio. A tecnologia é a mesma do já conhecido ChatGPT, mas o alcance é ainda bem menor.

Se o objetivo é ajudar os portugueses a criar e a utilizar a sua CMD, o que esta assistente virtual veio fazer, financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), foi fomentar as críticas a um projeto que fica a desejar, segundo os seus utilizadores: “Se isto é baseado no ChatGPT, alguma coisa não está bem”;”Este bonito serviço está a ser financiado com fundos do PRR.

O Polígrafo testou esta ferramenta com questões tão simples como “É obrigatório ter CMD?” ou ainda “Posso usar outros meios de autenticação?”, às quais a assistente digital respondeu com “Lamento, mas não consigo responder. Tente colocar a sua questão por outras palavras, por favor”. À data de publicação deste artigo, porém, o chatbot já se encontrava mais desenvolvido, com alterações claras na resposta a estas e outras perguntas.

O Polígrafo questionou o gabinete do secretário de Estado da Modernização que, em resposta escrita, revela que este projeto-piloto, coordenado pela Agência para a Modernização Administrativa (AMA), está ainda em “período de testes” e que o objetivo é precisamente colocar à prova “o verdadeiro potencial” desta ferramenta. “Por essa razão, a AMA está a recolher o feedback do utilizador sobre o serviço, cuja maioria das avaliações da experiência são, até agora, positivas“, avança a mesma fonte.

“As principais críticas apontadas pelos utilizadores referem-se à assistente virtual dizer que não consegue responder e pedir para colocar a questão por outras palavras. Esta limitação foi propositadamente imposta ao modelo, por forma a evitar efeitos colaterais como o fornecimento de informação errada ou ofensiva. Trata-se, assim, de uma aposta no rigor das respostas dadas, sendo que continuamos a trabalhar diariamente para que estas sejam o mais completas possível”, esclarece o gabinete.

Com uma “equipa de produto dedicada a recolher e analisar dados, melhorar a qualidade das respostas e gerir o desenvolvimento, a melhoria ou a disponibilização de novas funcionalidades”, a assistente virtual conseguiu inclusive melhorias significativas em poucos dias e, apesar de ter a CMD como serviço piloto, “a breve trecho será transversal a mais serviços públicos online”.

“A AMA está a promover o alargamento  da base de conhecimento que esta assistente virtual tem sobre os serviços públicos e a fazer testes de usabilidade e revisão dos conteúdos com agentes especializados. A testagem desta tecnologia e avaliação constante é o principal mecanismo para promover a evolução do desempenho desta Assistente, bem como para garantir que é priorizada uma inovação guiada pelos princípios éticos no desenvolvimento das diferentes tecnologias”, garante ainda o gabinete.

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Avaliação do Polígrafo:

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