Um vídeo a circular na rede social TikTok, com pouco mais de um minuto, alega que a "cura" para a depressão passa por exercício físico e um chá calmante. O alegado especialista que surge no vídeo indica que os chás podem curar a depressão e desafia "qualquer pessoa do mundo a melhorar".

A "receita" é simples: uma colher de valeriana, uma colher de melissa (erva-cidreira) e mulungu em meio litro de água fervida. Além disto, indica que uma boa forma de conseguir "dopamina" é através da meditação e oração, mas a "melhor fonte é a atividade física" e, por isso, aconselha a fazer caminhadas "de segunda a sexta-feira" de 30 a 40 minutos.

Será verdade que os chás "calmantes" curam a depressão?

Em declarações ao Polígrafo, o psiquiatra Júlio Machado Vaz indica que os chás podem "ser de alguma utilidade complementar às terapias anti-depressivas", mas "não substitui a terapia clássica" que são a medicação e a psicoterapia.

O especialista indica que "muitos especialistas negam esse facto e chamam a atenção para a existência de efeitos colaterais indesejáveis". Um exemplo disso, segundo Machado Vaz é o "chá de hipericão" que não só pode entrar em conflito com a ação dos antidepressivos, mas também de outros medicamentos como a pílula anticoncecional.

Quanto ao "exercício físico, deve ser utilizado sempre que possível", isto porque "liberta substâncias que melhoram o nosso estado de humor, mas também porque melhora a nossa auto-imagem física e auto-estima".

Como tratar a depressão?

Tal como indicado pelo psiquatra Machado Vaz, a terapia clássica para tratar uma depressão é a medicação ou a psicoterapia (ou uma combinação de ambas), sendo que estas devem ser resultado de um acompanhamento profissional que permita um tratamento adequado a cada caso.

No site do balcão digital do Serviço Nacional de Saúde (onde poderá consultar informação mais detalhada), informa-se que "atualmente, existem diversas estratégias terapêuticas para o tratamento da depressão que permitem, na maioria dos doentes compensar os sintomas durante as crises e ajudar a evitar as recorrências".

Mesmo nos casos mais graves, a depressão "pode ser tratada e quanto mais cedo o tratamento é iniciado, mais eficiente é".

Aponta-se ainda que a "maioria dos doentes apresentam melhorias dos seus sintomas quando tratados com antidepressivos, psicoterapia ou uma combinação de ambos". A escolha do tratamento deve estar de acordo com a "gravidade do quadro clínico", a "preferência do doente" e ainda a "presença ou não de outras doenças".

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Geração V

Este artigo foi desenvolvido pelo Polígrafo no âmbito do projeto "Geração V - em nome da Verdade", uma rede nacional de jovens fact-checkers. O projeto foi concretizado em parceria com a Fundação Porticus, que o financia. Os dados, informações ou pontos de vista expressos neste âmbito, são da responsabilidade dos autores, pessoas entrevistadas, editores e do próprio Polígrafo enquanto coordenador do projeto.

*Texto editado por Marta Ferreira.

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