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Charlie Kirk disse que as pessoas homossexuais devem ser “apedrejadas até à morte”?

Internacional
O que está em causa?
Na sequência do homicídio de Charlie Kirk, abatido a tiro durante um debate nos EUA, estão a ser recordadas declarações que o ativista conservador proferiu a respeito da comunidade LGBTQ+. Terá defendido que as pessoas homossexuais devem ser "apedrejadas até à morte", como se alega nas redes sociais?
© Shutterstock

Nas redes sociais alega-se em algumas publicações que Charlie Kirk, ativista conservador morto a tiro numa universidade no Utah, defendeu o apedrejamento dos homossexuais até à morte.

“Charlie Kirk disse literalmente que os homossexuais deveriam ser apedrejados até à morte”, lê-se num comentário no X. Será verdade?

Esta ideia é enganadora. Surge de uma interpretação extrapolada de declarações que o líder da “Turning Point USA” proferiu num episódio (arquivado aqui) do seu podcast em que comentou a forma como algumas pessoas selecionam passagens da Bíblia para validar pontos de vista.

A alegação ganhou particular destaque depois de Stephen King ter feito uma publicação com essa mesma acusação. No entanto, o escritor já a apagou e pediu desculpas: “O que [Kirk] realmente demonstrou foi como algumas pessoas selecionam passagens bíblicas”.

Em resposta a Ted Cruz, senador do Texas, que o apelidou de “horrível, malvado e mentiroso distorcido”, King voltou a lamentar o post que fez: “O horrível, malvado e mentiroso distorcido pede desculpas. É o que ganho por ler algo no Twitter [sem] verificar os factos. Não vai acontecer novamente”.

De acordo com o site Factcheck.org, a 8 de junho de 2024, o ativista reagiu a um vídeo de Rachel Anne Accurso, mais conhecida por “Ms. Rachel”, no qual a própria citou passagens da Bíblia para explicar o porquê de ter desejado um feliz “mês do orgulho” às pessoas da comunidade LGBTQ+.

“A minha fé é muito importante para mim e é também uma das razões pelas quais amo todos os meus vizinhos. (…) Em Mateus 22, um professor religioso perguntou a Jesus qual era o mandamento mais importante. E Jesus respondeu: ‘amar a Deus e amar o teu próximo como a ti mesmo’. Não diz amar todos os vizinhos, exceto”, disse a criadora de conteúdos.

Neste contextoKirk destacou que existem outros versículos na Bíblia sobre a obediência à lei e regras morais no que toca à homossexualidade.

“A propósito, senhora Rachel, talvez seja melhor abrir a Bíblia, numa referência menos importante, parte da mesma passagem está em Levítico 18, que diz que quem se deitar com outro homem será apedrejado até à morte, só para constar. Então, Rachel, a senhora cita Levítico 19, ame o seu próximo como a si mesma. O capítulo anterior afirma a lei perfeita de Deus quando se trata de questões sexuais”, disse o ativista.

Estas declarações geraram polémica e levaram à interpretação de que esta seria a prática que defendia. Mas, na realidade, o ativista chegou mesmo a afirmar que os homossexuais eram bem-vindos ao movimento, mesmo discordando com aquele “estilo de vida”.

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Avaliação do Polígrafo:

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