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Cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de 1992 previu a pandemia de Covid-19?

Coronavírus
Este artigo tem mais de um ano
O que está em causa?
É um "clip" de vídeo que se tornou viral nas redes sociais e está a ser difundido como "prova" de que a presente pandemia de Covid-19 terá sido planeada com décadas de antecedência. Retrata a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de 1992, em Barcelona, Espanha, marcada por um espetáculo da companhia de teatro catalã La Fura Dels Baus. Nas imagens, quase 30 anos depois, vislumbram-se supostas referências ao novo coronavírus SARS-CoV-2 e à vacinação contra a Covid-19.

“Cerimónia de abertura das Olimpíadas de Barcelona, 1992. Já estava tudo premeditado! Desperta”, alerta-se numa das publicações do clip de vídeo com descrição em língua portuguesa. Mas também está a ser partilhado noutras línguas, como “prova” de que a presente pandemia de Covid-19 terá sido planeada com décadas de antecedência.

Retrata a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de 1992, em Barcelona, Espanha, marcada por um espetáculo da companhia de teatro catalã La Fura Dels Baus. Nas imagens, quase 30 anos depois, vislumbram-se supostas referências ao novo coronavírus SARS-CoV-2 e até mesmo à vacinação contra a Covid-19.

Analisando o vídeo, de facto, há elementos aparentemente relacionados com doenças, embora não especificadas. Desde esqueletos até seringas e partículas de vírus. As imagens são autênticas e foram captadas na referida cerimónia de abertura em 1992, realizada no Estádio Olímpico de Montjuïc, Barcelona. Mas os tais elementos ou detalhes visuais seriam uma previsão da atual pandemia de Covid-19?

Na realidade, o espetáculo tinha como título “Mediterrâneo, Mar Olímpico” e pretendia contar “a história da viagem de Jasão e dos argonautas até às colunas de Hércules que, segundo a mitologia clássica, era a porta para o mundo desconhecido”, como está descrito na página da companhia de teatro catalã La Fura Dels Baus.

“No decorrer da viagem, representada no Estádio Olímpico, os argonautas enfrentam, na melhor tradição clássica, as fúrias que simbolizam a guerra, a poluição, a fome e a doença. As fúrias dos primeiros marinheiros têm equivalentes modernos. A performance culmina quando Hércules, depois de atravessar o recinto, separou as colunas e deixou o mar – formado por centenas de pessoas – fluir e inundar o desconhecido, metáfora direta do encontro de culturas, raças e povos”, lê-se no mesmo texto.

Para dissipar todas as dúvidas, a AFP contactou mesmo Carlus Padriss, um dos diretores da companhia de teatro e artes performativas, o qual garantiu que o vírus representado no espetáculo de 1992 era o vírus da imunodeficiência humana (VIH) que causa a SIDA. Ou seja, não tinha qualquer relação com os coronavírus, muito menos com a presente pandemia de Covid-19.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações “Falso” ou “Maioritariamente Falso” nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

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