"Dados preliminares dos Censos 2021 confirmam tendência de crescimento da população do Porto", garante-se no título de um artigo no site "Porto. Portal de Notícias do Porto", produzido pelo Departamento Municipal de Comunicação e Promoção da Câmara Municipal do Porto.

De acordo com o artigo, os 231.962 habitantes na cidade, de acordo com os resultados preliminares dos Censos, é "um valor superior à estimativa que o INE tinha feito no ano transato, cifrada em 216.887".

Sérgio Aires, candidato à Câmara Municipal do Porto pelo Bloco de Esquerda, escreveu no Facebook que se tratava de fake news. "​​Comparam-se estimativas com números reais e manipula-se alarvemente os resultados, glorificando o que simplesmente não aconteceu. A cidade continuou a perder população, 2,4% entre 2011 e 2021, como é facílimo verificar no quadro de resultados dos Censos do INE", afirmou.

Ainda de acordo com o candidato autárquico, "foi nas freguesias onde vive população mais desfavorecida e em risco de pobreza que houve mais perda de população. O Porto só crescerá quando tiver condições para repor a população e atrair mais gente. Os dados mostram que ainda estamos muito longe disso".

Houve realmente um crescimento populacional?

De acordo com os dados preliminares dos Censos 2021, disponíveis no site do Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2011 havia 237.591 pessoas a viver no Porto e em 2021 há 231.962 habitantes na cidade. Assim, a cidade portuense perdeu 5.629 habitantes desde os Censos de 2011, ou seja teve uma variação de -2,4%.

Os valores apresentados pela Câmara Municipal do Porto são provenientes das estimativas do INE, ainda que nem todos os valores correspondem às estimativas publicadas. Enquanto a autarquia alega que a população residente no Porto em 2018 seria de 214.936, o INE revela que o número correto é 215.284 e, em 2019, não havia 215.945 pessoas a viver no Porto, mas o valor do INE é 216.606.

Sérgio Aires diz também que foi nas freguesias mais desfavorecidas que o Porto perdeu mais pessoas. Segundo os dados preliminares dos Censos, as freguesias que perderam, efetivamente, população foram Campanhã (-9,1%), União de Freguesias Centro Histórico do Porto (-7,4%), Bonfim (-5,3%) e Lordelo do Ouro e Massarelos (-3,8).

De acordo com os dados do INE, em 2011, data dos últimos Censos e antes da reorganização das freguesias, havia seis freguesias com taxa de desemprego superior a 20% no concelho do Porto: Campanhã, Miragaia, Santo Ildefonso, São Nicolau, Sé e Vitória. Atualmente, a freguesia de Campanhã mantém-se tal como era há dez anos. Já Miragaia, Santo Ildefonso, São Nicolau, Sé e Vitória juntaram-se a Cedofeita para criar a União de Freguesias Centro Histórico do Porto.

Conclui-se que Sérgio Aires tem razão. A Câmara Municipal do Porto juntou dados dos Censos com estimativas do INE de forma a garantir o crescimento populacional, mas se forem comparados apenas os resultados dos dois Censos percebe-se que o Porto tem menos habitantes do que há dez anos. Foram realmente as freguesias mais desfavorecidas que perderam mais população, tal como afirmou o candidato bloquista.

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Avaliação do Polígrafo:

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