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Celorico de Basto tem serviço de urgência fechado que poderia ser utilizado na pandemia?

Coronavírus
Este artigo tem mais de um ano
O que está em causa?
Em publicação de 30 de janeiro no Facebook exibe-se uma imagem do que se descreve como "uma unidade do centro de saúde" de Celorico de Basto que "já teve 25 camas" mas encontra-se "fechada", em plena pandemia de Covid-19. "Possui oxigénio canalizado, ar forçado e sistema de vácuo", garante-se. Verificação de factos.

“Esta é a realidade do nosso Portugal: o Interior com as portas das urgências fechadas e as cidades com filas de ambulâncias para entrar nos hospitais. Desculpem mas não consigo ficar indiferente ao ver cerca de 300 pessoas por dia a morrer, ao ver criar hospitais de campanha em tendas, ao ver enviar doentes para as nossas ilhas e para o estrangeiro e, do outro lado, mesmo perto de tudo isto, termos edifícios, tal como este da fotografia, com plenas capacidades para cerca de 30 camas! Este, que já foi a nossa urgência em Celorico de Basto, terra do senhor Presidente da República e terra que tanto pode agora ajudar outros que precisam deste seu edifício”, alega-se no texto da publicação em causa.

“É compreensível termos no concelho uma unidade que já teve 25 camas, fechada? Não! Esta unidade do Centro de Saúde [de Celorico de Basto] possui oxigénio canalizado, ar forçado e sistema de vácuo”, garante o autor do texto, defendendo que poderia “funcionar como unidade de retaguarda para apoio aos nossos utentes internados que estão dispersos por vários hospitais da região Norte”.

Verdade ou falsidade?

“Não existe, nem nunca existiu, serviço de urgência no Centro de Saúde de Celorico de Basto. Existiu sim, um SAP – Serviço de Atendimento Permanente, que foi encerrado em 2011, por decisão governamental”, informa fonte oficial da Câmara Municipal de Celorico de Basto, questionada pelo Polígrafo sobre estas alegações.

A mesma fonte indica que o edifício na imagem corresponde ao Centro de Saúde de Celorico de Basto, de facto, mas ressalva que para ter um serviço de urgência “é necessária a existência de um conjunto de serviços que o Centro de Saúde nunca possuiu, nomeadamente serviço de análises, raio x e outros. E o seu funcionamento exige um mínimo de dois médicos em permanência e enfermeiros“.

Segundo a autarquia, “a denominação correta para o serviço que é prestado no Centro de Saúde, confundido frequentemente com o serviço de urgência, é serviço de atendimento complementar”. Após o encerramento do SAP, “passou a funcionar no Centro Saúde um serviço de atendimento complementar, de segunda a sexta-feira, entre as 20h00 e as 24h00, fins-de-semana e feriados, das 09h00 às 20h00”. Atualmente, devido à pandemia de Covid-19 e “por decisão da Administração Regional de Saúde do Norte, numa lógica de gestão de recursos, esse serviço foi suspenso durante a semana, mantendo-se o serviço de atendimento complementar em funcionamento das 09h00 às 20h00, aos sábados, domingos e feriados”.

O edifício tem capacidade para 20 camas, possui oxigénio canalizado, ar forçado e sistema de vácuo, mas “os sistemas não são utilizados desde o encerramento dos serviços dos cuidados continuados de curta duração”, em 2012, então sob a administração do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa.

O Município de Celorico de Basto pretende “que estas instalações sejam úteis à população e ao Serviço Nacional de Saúde, sobretudo neste contexto de pandemia”, mas assume que “não existem condições para o seu funcionamento imediato”.

Em abril de 2020, “o então diretor-executivo do ACeS – Baixo Tâmega, Avelino Bastos, acompanhado do presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa, Carlos Alberto, visitaram o Centro de Saúde de Celorico de Basto, com o objetivo de verificar a viabilidade das antigas instalações da unidade de cuidados continuados de curta duração”.

No entanto, a avaliação conjunta classificou a sua utilização como inviável, devido à “necessidade de uma intervenção profunda nos equipamentos, nomeadamente na rede de oxigénio canalizado, ar forçado e sistema de vácuo”, além da “inexistência dos meios humanos para garantir o seu funcionamento, designadamente profissionais de saúde: médicos e enfermeiros”.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações “Falso” ou “Maioritariamente Falso” nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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