A recusa da CDU ao desafio lançado por Livre, BE e PAN para formar uma alternativa à “deriva autoritária” em Loures tornou-se tema de debate nas redes sociais. Entre as críticas à coligação PCP-PEV, por não se juntar à esquerda para derrubar Ricardo Leão, atual presidente da Câmara, recorda-se um episódio de há 12 anos.
“Sobre coligações e autárquicas, recordemos: 2025 e 2013“, consta num tweet que junta duas notícias desses mesmos anos. À esquerda, destaca-se uma publicação do “Público”, de 29 de julho, referente ao não da CDU à coligação “Construir o Futuro”. À direita, com grafismo do “Jornal de Negócios” e sem data visível, surge a justificação de Jerónimo de Sousa, ex-secretário-geral do PCP, para o acordo com o PSD nesta autarquia.
Desde logo, percebe-se que a ideia presente neste post está descontextualizada, pois junta notícias relativas a acordos discutidos em momentos distintos: pré e pós-eleitoral.
A primeira notícia refere-se à rejeição de um convite para integrar uma coligação que vai concorrer unida àquela autarquia. Já a segunda diz respeito a um acordo pós-eleitoral de gestão.
A segunda notícia – lado direito da imagem, foi publicada a 29 de outubro de 2013, um mês após as eleições autárquicas. Naquele ano, a CDU venceu em Loures sem maioria absoluta e optou por celebrar um acordo de gestão com o PSD, depois de ter sondado o PS.
“Chegámos a acordo com o PSD, como fizemos com o PS em Sintra e noutros sítios. Não perdemos os nossos princípios, mas, no que diz respeito às autarquias, estamos sempre dispostos a dar o nosso melhor pelas pessoas que confiaram em nós”, disse Jerónimo de Sousa na altura.
Contactado pelo Polígrafo, Gonçalo Caroço, vereador da CDU na Câmara de Loures, admitiu que a publicação tenha sido feita com o intuito de denegrir a imagem da coligação.
“Trata-se de duas coisas muito diferentes. Em 2013, a CDU concorreu enquanto CDU e, após vencer as eleições, houve um acordo em câmara entre as duas forças políticas. Algo usual no que respeita a distribuição de pelouros”, explicou.
Agora para estas autárquicas, diz Gonçalo Caroço, “a esquerda não queria que a CDU concorresse como CDU”, já que a proposta passava por integrar uma coligação. “E covinhamos, não é a pouco mais de uma semana da entrega das listas que nos fazem uma proposta”, apontou.
Ainda assim, garantiu que, se a CDU vencer as eleições e a coligação Construir o Futuro conseguir eleger algum vereador – algo que nunca aconteceu com nenhum desses partidos -, estará disponível para negociar, nomeadamente a distribuição de pelouros.
A coligação PCP-PEV recorda que, em 2017, ano em que voltou a vencer as eleições em Loures sem maioria absoluta, não houve qualquer distribuição de pelouros para além dos vereadores da CDU. Nessa eleição, “o PSD entrou numa deriva com a candidatura de André Ventura, o que, por opção da CDU, impossibilitou qualquer conversação.”
“A CDU tem um projeto autárquico próprio para Loures, assente numa estratégia e propostas próprias que devolverão a Loures e aos seus habitantes o orgulho de termos um concelho de todos e para todos, de desenvolvimento e progresso. É esse projeto que nos move e não cálculos eleitoralistas ou o objetivo primordial da derrota deste ou de outro candidato do PS. Vai muito para além disso”, concluiu.
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Avaliação do Polígrafo:

