"Só para lembrar a qualidade", começa por destacar o autor do post no Facebook, datado de 18 de janeiro de 2022.

E prossegue: "Cavaco sobre os portugueses em entrevista a um jornal holandês: Foram 'demasiado negligentes' e estão hoje a sofrer as consequências de 'uma vida fácil'". Não é feita qualquer referência à data da alegada entrevista ou partilhada qualquer ligação para a mesma, nem sequer o nome da publicação holandesa.

Verificação de factos.

Uma das informações divulgada na publicação está correta. É verdade que, no final de dezembro de 2011Aníbal Cavaco Silva deu uma entrevista ao jornal diário "Financieele Dagblad", uma publicação holandesa dedicada a questões financeiras. Pode consultar a peça jornalística na íntegra aqui.

O artigo tinha como pano de fundo a situação económica do país, poucos meses depois da chegada da troika a Portugal e da imposição de um pacote de medidas de austeridade, implementadas pelo Governo de Pedro Passos Coelho. Logo na introdução da peça, lê-se: "O Presidente português Aníbal Cavaco Silva reconhece que muita coisa correu mal na política económica do seu país."

"Até agora, o país mostrou um grande sentido de responsabilidade patriótica. Queremos mostrar que fazemos o que temos que fazer. Claro que as pessoas não estão felizes. Mas é hora de corrigirmos nossos erros. Contradigo as previsões negativas de que Portugal não conseguirá recuperar. Mostrámos mais que uma vez no passado recente que podemos fazer isso, se for preciso", afirmou Cavaco ao "Financieele Dagblad".

A análise das declarações a partir das quais foram isoladas as citações atribuídas ao antigo presidente permitem perceber que as suas palavras foram, no mínimo, descontextualizadas. Cavaco disse: "Investimos demais em produção pouco competitiva. O consumo cresceu muito rápido. Isso foi, erroneamente, não abordado. Nós desfrutámos do euro, desfrutámos de uma vida fácil. E ignorámos as consequências do facto de que não podermos continuar a prosseguir uma política cambial. Portanto, temos sido muito desleixados/negligentes".

Portanto, em primeiro lugar, Cavaco nunca se refere aos portugueses, na terceira pessoa, ao contrário do que é afirmado na publicação. Além disso, a referência do antigo Presidente a uma situação de "negligência" é feita a propósito da falta de uma avaliação prévia dos efeitos que o abandono da política cambial própria e a adesão ao euro tiveram no país. Da mesma forma, a expressão "vida fácil" é utilizada no contexto do excessivo investimento em bens não transacionáveis após a adesão à nova moeda.

As publicações que isolam as duas citações de Cavaco Silva apresentam, portanto, informação descontextualiazada.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:

Falta de contexto: conteúdos que podem ser enganadores sem contexto adicional.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

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