"O quadriénio em que Portugal cresceu mais desde a entrada no Euro foi entre 2015 e 2019, altura também em que mais reduziu a sua dívida. E, portanto, aquilo que fica provado e aquilo que nós já provámos é que ao contrário do que defende a direita, que é destruindo o país que o país ficará melhor, é com mais salário que o país pode crescer", sublinhou Catarina Martins, coordenadora do BE, no debate de ontem à noite na SIC em que enfrentou Rui Rio, presidente do PSD.

O crescimento económico e a redução da dívida pública foram assim tão acentuados entre 2015 e 2019?

No que respeita à taxa de crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB), de facto, o período entre 2015 e 2019 (ou mais corretamente, entre 2016 e 2019, formando o quadriénio do primeiro Governo do PS baseado na "geringonça" que tomou posse no final de 2015) destaca-se com as variações mais positivas desde 2002, quando Portugal aderiu à moeda única europeia.

A saber: +2,02% em 2016, +3,51% em 2017, +2,85% em 2018 e +2,68% em 2019.

Entre 2002 e 2015, além de variações negativas da taxa de crescimento real do PIB em cinco anos, o maior aumento registou-se em 2017 com +2,51%. Foi a única vez, ao longo de todos esses anos, em que se superou a fasquia de +2%. No quadriénio 2016-2019, a taxa de crescimento foi sempre superior a +2% e atingiu mesmo o ponto máximo de +3,51% em 2017, um nível que já não era atingido desde o ano de 2000 (no final da década de 1990 chegou a superar a fasquia de +4%).

Quanto à dívida bruta das Administrações Públicas em percentagem do PIB, em 2002 estava ao nível de 60% do PIB e, desde então, tem vindo a aumentar quase ininterruptamente, com apenas três excepções: ligeiras descidas entre 2006 e 2007 e entre 2014 e 2015; e uma descida mais acentuada entre 2016 e 2019.

Em 2015 atingiu 131,2% do PIB, no ano seguinte ainda aumentou ligeiramente para 131,5%, mas iniciou então uma trajetória descendente até ao nível de 116,6% do PIB em 2019.

Ou seja, Martins tem razão, quer no que respeita ao crescimento económico, quer no que concerne à redução da dívida pública. Importa porém ter em atenção que o ano de 2020 foi muito negativo nestes dois indicadores, já no contexto extraordinário da pandemia de Covid-19. Mas a líder dos bloquistas referiu-se especificamente ao quadriénio 2016/2017/2018/2019.

Este artigo de verificação de factos baseia-se em dados compilados pela Pordata (com origem no Banco de Portugal, Instituto Nacional de Estatística e outras fontes oficiais).

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