Na sexta-feira, dia 20 de agosto, depois de se ter reunido em Faro com a delegada regional do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), Catarina Martins defendeu ser essencial ter em consideração os trabalhadores precários que ficaram sem apoios devido à pandemia de Covid-19 e não conseguem encontrar trabalho.

Segundo noticiou a Agência Lusa, a deputada e líder do Bloco de Esquerda (BE) classificou a situação como "muito complicada", chamando a atenção para "todos os precários que foram despedidos de um momento para o outro".

"Falaram-me agora de todas as pessoas aqui no Algarve que tinham começado a trabalhar e que foram despedidas em período experimental e não tiveram nenhum apoio", salientou a líder bloquista, no mesmo dia em foi publicada uma entrevista de António Costa ao jornal "Expresso", em que o primeiro-ministro fechou a porta a alterações no período experimental de 180 dias dos contratos de trabalho que têm sido reivindicadas pelo BE e PCP.

Em declarações aos jornalistas, Martins sublinhou que há muitos que "não encontraram ainda emprego" ou outros que o conseguiram, mas com "salário mais baixo e com piores condições" e que muitos estão "sem emprego e nenhum tipo de apoio".

Na reunião com a delegada regional do IEFP foi-lhe comunicado que, em alguns concelhos do Algarve, a situação da crise pandémica foi "mesmo pior do que a crise financeira", como no caso de Albufeira onde o desemprego "cresceu mais" neste dois anos do que no pior momento da crise em 2013.

"Estamos numa situação em que há algum alívio, mas ainda é muito pequeno, não é sólido e o desemprego continua 150% acima do que era em 2019", afirmou Martins.

Confirma-se que o desemprego no Algarve "continua 150% acima do que era em 2019"?

De acordo com o mais recente boletim de Informação Mensal do Mercado de Emprego do IEFP, referente a junho de 2021, registaram-se 20.030 pessoas desempregadas na região do Algarve, 5,3% do total ao nível nacional.

Ora, retrocedendo até ao boletim do IEFP referente a junho de 2019, o último período homólogo anterior à situação de pandemia, verificamos que foram então contabilizadas 7.879 pessoas desempregadas na região do Algarve, 2,6% do total nacional.

A escalada do desemprego na região do Algarve, de 7.879 pessoas em junho de 2019 para 20.030 pessoas em junho de 2021, representa um aumento ligeiramente superior a 150%.

Pelo que classificamos a alegação de Martins como factualmente correta.

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Avaliação do Polígrafo:

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