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Catarina Martins: “Ainda não se tentou” realizar “uma conferência de paz” entre Rússia e Ucrânia

Política
O que está em causa?
No programa com que se candidata ao Parlamento Europeu, a ex-líder do Bloco de Esquerda defende a realização de uma conferência de paz "sob a égide da ONU" para terminar com a guerra na Ucrânia. Em entrevista à SIC Notícias, questionada sobre em que é que isso se diferencia do que já se tentou fazer, respondeu que "ainda não se tentou uma conferência de paz". Verificação de factos.

Na perspetiva da ex-líder do Bloco de Esquerda e cabeça-de-lista nas eleições para o Parlamento Europeu, expressa ontem à noite em entrevista à SIC Notícias, “a Ucrânia tem todo o direito à integridade do seu território e à auto-determinação do seu povo, como todos os Estados, e a invasão russa deve ser condenada, deve ser combatida, não pode ser permitida”. Contudo, no respetivo programa defende a realização de uma conferência de paz “sob a égide” das Organização das Nações Unidas (ONU), com o objetivo de pôr fim à guerra.

Questionada sobre em que é que isso se diferencia do que já se tentou fazer, Catarina Martins respondeu que “ainda não se tentou uma conferência de paz. Na verdade, a União Europeia tem estado parada sobre esta matéria. E eu vejo, aliás, com muita preocupação, afirmações como por exemplo de Emmanuel Macron que são de escalar a guerra”.

Nesse âmbito, a candidata bloquista sublinhou que esta guerra que se prolonga há mais de dois anos “não vai ter uma solução militar” e “precisa muito de diplomacia”. Segundo Martins, “até porque a solução militar, neste momento, olhando para o que está a acontecer, tem um de dois resultados: ou a aniquilação completa da Ucrânia, ou enfim uma escalada que pode levar até a uma guerra nuclear”.

É verdade que ainda não se tentou realizar uma conferência de paz entre a Rússia e a Ucrânia?

Não exatamente. Na realidade, logo após o início da invasão da Ucrânia por forças militares da Rússia, realizou-se a primeira ronda de conversações de paz entre representantes da Rússia e da Ucrânia, mais precisamente a 28 de fevereiro de 2022, na Bielorrússia. A segunda e terceira rondas ocorreram a 3 e 7 de março de 2022, também numa zona de fronteira entre a Bielorrúsia e a Ucrânia. Mas sem sucesso.

Posteriormente, a 10 e 14 de maio, organizaram-se ainda a quinta e sexta rondas em Antália, na Turquia, com a mediação do Governo da Turquia.

Por outro lado, mais recentemente, o Governo suíço convidou mais de 160 chefes de Estado e de Governo para participarem na “Alta Conferência sobre a Paz na Ucrânia” que deverá realizar-se na Suíça em meados de junho. Mas neste momento ainda há dúvidas quanto a uma eventual participação de representantes da Rússia.

De qualquer modo, a proposta do Bloco de Esquerda faz referência a uma “Conferência de Paz sob a égide das Nações Unidas”, o que seria um modelo distinto. Pelo que optamos pela classificação de “Impreciso” – na verdade já se realizaram conferências ou rondas de conversações de paz, mas não no exato modelo defendido por Martins.

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UE

Este artigo foi desenvolvido pelo Polígrafo no âmbito do projeto “EUROPA”. O projeto foi cofinanciado pela União Europeia no âmbito do programa de subvenções do Parlamento Europeu no domínio da comunicação. O Parlamento Europeu não foi associado à sua preparação e não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores do programa. O Parlamento Europeu não pode, além disso, ser considerado responsável pelos prejuízos, diretos ou indiretos, que a realização do projeto possa causar.

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Avaliação do Polígrafo:

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