O primeiro jornal português
de Fact-Checking

Debates Europeias. Catarina Martins: “A Europa gasta mais em Defesa, em percentagem do PIB, do que a Rússia ou do que a China”

Política
O que está em causa?
A ex-líder do Bloco de Esquerda considerou no debate de ontem na RTP que "a Europa só não tem independência estratégica porque não quer", na medida em que "tem duas potências nucleares" e "gasta mais em Defesa, em percentagem do PIB, do que a Rússia ou do que a China". Verificação de factos.

No debate de ontem à noite na RTP, frente aos cabeças-de-lista do Chega, Livre e PAN, questionada sobre se a União Europeia deve investir mais em Defesa para assegurar uma maior independência face aos Estados Unidos da América (EUA) no âmbito da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), a ex-líder do Bloco de Esquerda considerou que “a Europa só não tem independência estratégica porque não quer“.

Desde logo, na perspetiva de Catarina Martins, porque “tem duas potências nucleares, Reino Unido e França, uma delas no espaço da União Europeia”. E também porque “gasta mais em Defesa, em percentagem do PIB, do que a Rússia ou do que a China“.

Posto isto, advertiu que “a ideia de que a Europa é indefesa e precisa de investir muito, não é verdadeira. Faz parte, aliás, de uma velha reivindicação, nomeadamente francesa e alemã, de retirar dinheiro dos fundos da Coesão, que servem para as mais variadas áreas da Educação à Saúde, ao Território, ao Clima, retirar fundos desses para financiar as indústrias de armamento”.

Confirma-se que “a Europa gasta mais em Defesa, em percentagem do PIB, do que a Rússia ou do que a China”?

De acordo com os últimos dados do Banco Mundial, referentes ao ano de 2022, a despesa militar da Rússia ascendeu a 4,1% do Produto Interno Bruto (PIB), muito superior (em proporção do PIB, sublinhe-se) às registadas pela China e pelos 27 Estados-membros da União Europeia que rondaram 1,6% do PIB.

Martins estaria a referir-se à União Europeia, até pelo facto de mencionar os fundos de Coesão na mesma resposta. Mas apontou para a Europa como um todo e, nesse âmbito, os dados do Banco Mundial indicam uma despesa militar de cerca de 2% do PIB em 2022 – incluindo nesta região países como a Ucrânia e a Rússia, o que não se coaduna com o sentido da declaração de Martins.

Por outro lado, o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI) já apresentou dados referentes ao ano de 2023, com destaque para o crescimento da despesa militar da Rússia até 5,9% do PIB, enquanto a China também aumentou ligeiramente para 1,7% do PIB.

Também nesta base de dados surge a dificuldade de distinguir entre a União Europeia e a Europa como um todo (englobando ou não a Ucrânia e a Rússia, países beligerantes, no caso da Ucrânia com o facto adicional de essa despesa estar a ser financiada em grande parte pelos EUA e demais países da União Europeia). De qualquer modo, excluindo obviamente a Rússia dessas contas, a despesa militar da Europa permanece distante do nível russo de 5,9% do PIB.

_______________________________

UE

Este artigo foi desenvolvido pelo Polígrafo no âmbito do projeto “EUROPA”. O projeto foi cofinanciado pela União Europeia no âmbito do programa de subvenções do Parlamento Europeu no domínio da comunicação. O Parlamento Europeu não foi associado à sua preparação e não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores do programa. O Parlamento Europeu não pode, além disso, ser considerado responsável pelos prejuízos, diretos ou indiretos, que a realização do projeto possa causar.

_______________________________

Avaliação do Polígrafo:

Partilhe este artigo
Facebook
Twitter
WhatsApp
LinkedIn

Relacionados

Em destaque