Com o aproximar do dia das eleições nos EUA, o Presidente norte-americano e candidato à reeleição, Donald Trump, tem procurado divulgar aquelas que considera serem as suas decisões mais importantes, como aconteceu com a publicação do relatório do Gabinete de Política de Ciência e Tecnologia da Casa Branca, destinado a apresentar as "realizações científicas e tecnológicas" do primeiro mandato do republicano. 

O comunicado de imprensa emitido para anunciar a compilação de decisões do líder norte-americano falava em “vitórias científicas e tecnológicas que mudaram o mundo nos últimos quatro anos” e, logo no topo da lista, anunciava o capítulo “Ending the Covid-19 pandemic”, de acordo com o site de verificação de factos PolitiFact. 

A utilização desta frase parecia indicar que a Casa Branca estaria a admitir que acabara com a pandemia provocada pelo SARS-CoV-2 no país, apesar de o número de novos casos positivos estar perto dos 100 mil por dia e de já terem morrido mais de 220 mil pessoas nos EUA. Essa foi a leitura feita por muitos órgãos de comunicação em todo o mundo. A Forbes, por exemplo, escreveu: “Casa Branca lista ‘fim’ da pandemia de Covid-19 como uma realização de Trump”. Também outros órgãos, como o Politico ou o  The Hill reportaram o facto de a Casa Branca ter anunciado o fim da pandemia "ao mesmo tempo que o número de casos no país bate novos recordes".

Mas será que a Casa Branca anunciou mesmo - ou pretendeu anunciar - que a pandemia acabou nos EUA?

Não exactamente. A verdade é que a frase “ending the Covid-19 pandemic” não aparece no relatório oficial apresentado no comunicado de imprensa. Segundo o PolitiFact, a pesquisa pela palavra “ending” em todo o documento só encontra um resultado - e refere-se ao objetivo de “acabar com a tragédia nacional do suicídio de veteranos”. 

Ao contrário do que surge no comunicado de imprensa, no documento do Gabinete de Política de Ciência e Tecnologia da Casa Branca a primeira secção abordada não está relacionada com a Covid-19 mas sim com o desenvolvimento das chamadas “indústrias do futuro”, que engloba tópicos como inteligência artificial, biotecnologia, computação quântica ou redes de comunicação avançadas/5 G.

relatório USA

Na segunda secção, sobre segurança sanitária e inovação, aborda-se a questão da pandemia mas sem qualquer referência a uma vitória sobre a doença. Segundo o PolitiFact, o documento destaca os financiamentos de muitos milhões de dólares aprovados de urgência para investir no desenvolvimento de vacinas e medicamentos para tratar a Covid-19. 

É importante realçar que em inglês a expressão “ending the pandemic” tem duas possibilidades de leitura. Pode querer dizer que “a pandemia acabou” - e essa afirmação seria facilmente desmentida pelos números da pandemia nos EUA - ou que o país está em vias de acabar com a crise de saúde pública. Caso fosse esta a intenção, a mesma teria como base o investimento do governo dos EUA em investigação e testes e a interpretação da Casa Branca de que essas ferramentas deixam o país mais perto de derrotar a doença. 

Parece claro que a redacção do comunicado foi além do que foi escrito pelos autores do relatório do Gabinete de Política de Ciência e Tecnologia da Casa Branca, que não usaram a expressão “ending the Covid-19 pandemic”. Na segunda secção do documento, destaca-se o investimento em medicamentos e no desenvolvimento de vacinas, mas não é utilizada uma linguagem vitoriosa. Já a Casa Branca, ao permitir a divulgação do comunicado de impressa nestes termos, parecia querer dizer que a doença está pelo menos em vias de ser rapidamente derrotada nos EUA.

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Avaliação do Polígrafo:

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Impreciso
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