Foi lançado um dia após a divulgação da carta aberta subscrita por 250 figuras da área não-socialista em apoio a António José Seguro, mas com um objetivo totalmente inverso. O manifesto “Eu digo não ao socialismo”, publicado no último sábado, 24 de janeiro, ganhou destaque nas redes sociais.
A carta não apresenta subscritores iniciais, mas já diz contar com mais de 14.500 assinaturas – mais do dobro da iniciativa de apoio não socialista ao candidato apoiado pelo PS. As primeiras partilhas surgiram em perfis que declararam apoio a André Ventura, havendo também registo de publicações de deputados do Chega, como Pedro dos Santos Frazão e Rui Paulo Sousa.
O texto começa por referir que “António José Seguro tenta vender a imagem de moderação e consenso, mas essa narrativa é uma fraude política”, porque o candidato “é o rosto polido do mesmo socialismo que desgovernou Portugal durante grande parte dos últimos cinquenta anos e que conduziu o país ao atraso económico, à estagnação crónica e à dependência permanente do Estado”.
Traça ainda um paralelismo entre Seguro, António Costa e José Sócrates e termina com o aviso: “Escolham se continuam reféns de um modelo falhado ou se dizem, finalmente, que é tempo de dizer Não ao socialismo.”
Os requisitos para se tornar signatário desta carta aberta pouco diferem de outras, como a iniciativa dos não-socialistas em apoio a Seguro. Por se tratar de uma carta aberta e não de uma petição pública destinada à Assembleia da República, não é exigido o número do cartão de cidadão. Quem pretende assinar deve indicar o nome, a profissão e o email, sendo este último opcional. Contudo, o sistema permite registar apenas o nome próprio ou apenas o apelido.
Assim, apesar do expressivo número de assinaturas, a consulta das já disponíveis revela alguns problemas. Além de ter mais de uma centena de assinaturas com apenas um nome, mesmo sendo uma abreviatura ou alcunha, a carta contém assinaturas de figuras públicas apresentadas de forma satírica, como “Rita Maria Matias, desempregada”, “André Populista Ventura, trabalhador por conta própria” e “Pedro Pinto, motorista profissional”. Há ainda um “Cavaco Silva, reformado”, embora o próprio já tenha declarado apoio a Seguro, um José Mourinho e até mesmo um “António José Seguro” na lista de signatários.
Embora se destaque que conta com mais 14.500 assinaturas, a carta apresenta apenas 64 páginas com 50 signatários cada, totalizando 3.200 assinaturas visíveis. Ou seja, mais da metade das assinaturas alegadas não está efetivamente mostrada.
Há pouco mais de um ano, André Ventura tentou descredibilizar uma petição associada à queixa-crime que o visava a ele próprio, a Pedro Pinto e a Ricardo Reis por declarações sobre a morte de Odair Moniz.
“Mais uma fraude da esquerda e do sistema. Perfis falsos estão a aumentar o número de subscritores. Denunciem mais uma mentira descarada para nos atacar”, escreveu no X
De acordo com o jornal “Público”, a publicação acompanhava uma imagem manipulada para se assemelhar ao site de outro órgão de comunicação social. A imagem mostrava conteúdo do Folha Nacional, jornal do partido, com o título: “Petição contra André Ventura e Pedro Pinto está a ser manipulada por perfis falsos e é uma fraude”. Na altura, os promotores da petição pública disseram que detetaram apenas duas assinaturas falsas entre as 116 mil.
_____________________________
Avaliação do Polígrafo:
