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Carros elétricos estão “a ir para abate com poucos quilómetros”?

Ambiente
O que está em causa?
Destaca-se no Facebook que os carros elétricos estão a ser abatidos com poucos quilómetros, sem mais pormenores ou explicações. Na caixa de comentários da publicação é partilhado um "link" para um suposto artigo que revela que "o alerta foi dado pela Thatcham Research". Verdade ou mentira?

“Veículos elétricos estão a ir para abate com pouquíssimos quilómetros”, destaca-se numa publicação divulgada no Facebook. Na caixa de comentários remete-se para o link de um site denominado “Já sabias”.

No site em questão não é possível identificar qualquer estatuto editorial ou informação relativa aos autores das publicações, mas misturam-se segmentos referentes a “notícias”, “motores” ou até “humor”. Entre eles, a “notícia” partilhada a 10 de outubro: “O alerta foi dado pela Thatcham Research — uma associação que se dedica a estudos de mercado para o setor das seguradoras. Segundo o seu mais recente relatório, apesar de as marcas anunciarem que as baterias dos veículos elétricos são reparáveis, na prática isso poderá não estar a acontecer.”

Este alegado estudo é fidedigno?

De facto, o relatório foi divulgado este ano pela empresa britânica que se dedica ao estudo de “oportunidades e riscos de novas tecnologias de veículos”. O objetivo de Thatcham Research é fornecer estes dados e investigação às “seguradoras, Governos, fabricantes de veículos, empresas de tecnologia e a indústria de reparação para que tomem decisões melhores e mais informadas”.

O documento destaca os riscos da adoção de veículos elétricos a bateria tendo em conta que estas “representam uma percentagem substancial do valor original do veículo”, portanto, em caso de dano, o impacto negativo é elevado.

Segundo a empresa, existe um número reduzido de veículos elétricos a bateria no mercado, mas isso não quer dizer que não haja motivos para preocupação, sobretudo devido à falta de soluções de reparação disponíveis a custos acessíveis.

“Sem mudanças significativas, há uma forte probabilidade de que os custos com sinistros continuem a aumentar desproporcionalmente”, aponta Adrian Watson, responsável pela investigação de engenharia.

“Grande parte da indústria de seguros automóveis ainda não se adaptou aos desafios da adoção em massa de veículos elétricos a bateria, e as implicações permanecem não quantificadas na capacidade de reparação, formação e competências, custo e sustentabilidade ao longo da vida destes veículos. Esta falta de consciência significa que são muitas vezes considerados irreparáveis, levando a amortizações prematuras devido ao elevado custo da bateria”, acrescenta.

O relatório admite, por fim, o abate prematuro destes veículos, não porque têm poucos quilómetros, mas em consequência de acidentes cujos danos sejam considerados irreparáveis pelas seguradoras (tendo em conta os custos) ou perante algum tipo de defeito da bateria. De acordo com o mesmo, à medida que o tempo passa, e mais dados forem reunidos, “é expectável que os prémios dos seguros aumentem” já que “que o risco é mais ativamente quantificado”.

Detalha-se ainda que, “em situações onde o reparo da bateria não é possível ou viável, o Reino Unido tem pouca ou nenhuma infraestrutura para reciclar baterias de veículos elétricos que devolve matérias-primas de alta qualidade à cadeia de abastecimento”. Ou seja, “esta ausência de infraestrutura perde uma percentagem significativa do valor desproporcional que essas baterias representam nos veículos de hoje”.

É assim verdade que há veículos elétricos a bateria que estão a ir para abate, mas quando existem danos nas baterias que tornam a sua reparação inviável. No entanto, note-se que a investigação é centralizada no Reino Unido, com dados referentes aos países que constituem a nação.

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Avaliação do Polígrafo:

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