O vídeo publicado recentemente no Instagram exibe imagens antigas do inventor norte-americano Stanley Meyer, entretanto falecido (em 1998), a falar sobre a "célula de combustível de água" que terá concebido, utilizando água como combustível para os motores de automóveis. Nas legendas do vídeo destaca-se uma citação de Meyer, em entrevista a uma estação de televisão, quando alegou que 22 galões (cerca de 83 litros) de água poderiam ser suficientes como combustível para um veículo buggy percorrer a distância entre as cidades de Los Angeles e Nova Iorque, num total de cerca de 4 mil quilómetros.

"A água foi sempre considerada um bem precioso, mas a invenção de Stan Meyer pode torná-la ainda mais valiosa. Ele desenvolveu o que denomina como célula de combustível de água", diz o entrevistador no segmento de imagens recolhidas a partir de uma reportagem da década de 1990. "Tomou o lugar do seu antigo depósito de gasolina. A célula de combustível de água decompõe as moléculas de águas em oxigénio e hidrogénio. O hidrogénio é utilizado para fazer funcionar o seu buggy de dunas".

Esta história tem motivado diversas publicações nas redes sociais ao longo dos anos, com ligeiras variações. Por exemplo, numa publicação de 2019 verificada pelo Polígrafo alegava-se que "um carro movido a água salgada percorreu 150 mil quilómetros sem gerar poluição".

Nesse mesmo ano, a AFP verificou uma publicação em que se apontava para um carro movido a água, tal como esta mais recente de 2022. "A água não pode ser queimada como combustíveis de hidrocarbonetos (gasolina, etanol, gás natural) ou hidrogénio", garantiu Hua Zhao, vice-reitor da Faculdade de Engenharia da Universidade Brunel Londres, em declarações à AFP.

Zhao explicou que os átomos de hidrogénio nas moléculas de água estão ligados a átomos de oxigénio e seria necessária energia (normalmente por eletrólise) para libertar esses átomos de hidrogénio, de forma a que pudessem ser queimados como combustível para motores de automóveis.

"A energia que é precisa para quebrar essas ligações entre hidrogénio e oxigénio na água acabará sempre por consumir mais energia do que a necessária para os reunir numa célula de combustível ou produzida pelo motor", sublinhou o especialista.

De acordo com o "PolitiFact", que também analisou esta publicação mais recente de 2022, Meyer não tinha experiência nem formação científica e alegava que a sua "célula de combustível de água" funcionava através de uma quebra do hidrogénio e do oxigénio na água, além de que o hidrogénio poderia ser utilizado como combustível num motor.

Mas a alegação de Meyer parecia desafiar os princípios termodinâmicos, adverte o "PolitiFact", realçando que a primeira lei da termodinâmica determina que a energia não pode ser criada ou destruída e que quando é transferida de uma forma para outra, o estado final não pode ser maior do que o estado original.

"A água não é um combustível. Nunca foi e nunca será", escreveu Philip Ball, divulgador de ciência, em artigo de 2007 na revista "Nature", de Londres. "A água não queima. A água já está queimada - é combustível gasto".

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