Pedro Frazão é o protagonista de um vídeo viral que começou a circular nas redes sociais esta manhã. O carro do deputado eleito pelo Chega esteve estacionado por alguns minutos em cima da linha do elétrico, na Praça do Martim Moniz, em Lisboa, impedindo a passagem do transporte público.
É possível ver, durante a gravação, que o condutor do “28” – que liga a Praça Martim Moniz a Campo de Ourique (Prazeres) – buzina insistentemente, bem como outros carros que seguem o elétrico. Durante quase quatro minutos, o Renault de Frazão permanece desocupado, com os quatro piscas ligados e uma mochila no lugar do passageiro. Já no final da gravação, o deputado surge de fato a atravessar a estrada e com um tripé na mão.
O Chega não prestou esclarecimentos ao Polígrafo mas, questionado pelo “Correio da Manhã“, Pedro Frazão afirmou que este episódio “aconteceu há bastante tempo” e até apresentou uma justificação: “Deixei o carro mal estacionado por ter receio pela segurança, pois já a deputada Joana Mortágua e o ex-PM António Costa foram assaltados naquele local (Martim Moniz).”
“Retirei imediatamente o carro, pois estava do outro lado do passeio, na praça do Martim Moniz”, acrescentou o vice-Presidente do Chega, que há pouco mais de um ano partilhou no X o seu desagrado para com os fiscais da EMEL. “Lisboa é um Município Terrorista! Passa do dia 15 de cada mês e é isto por todo o lado: bloquear carros bem estacionados só para cumprir os objetivos financeiros”, escreveu o deputado.
O problema é que, tal como verificou o Polígrafo à data, os carros não estavam bem estacionados: a sinalização vertical existente no local (C16 – Paragem e Estacionamento Proibidos), prevista no Código da Estrada, informa que a paragem ou estacionamento de veículos são, aí, proibidos. Exceção a esta regra são apenas os casos de “tomada e largada de passageiros” e de “cargas/descargas”, de acordo com a informação apresentada na placa anexa ao sinal colocado na referida localização.
O parqueamento só é, portanto, autorizado nos lugares que se situam em frente aos dois que suscitaram a discussão, de acordo com o sinal vertical que os antecede (H1a – Estacionamento Autorizado), para veículos ligeiros e desde que mediante o pagamento da referida tarifa “de segunda a sexta-feira, das 9.00H às 19.00H”, informam os indicadores anexos ao mesmo.
Ou seja, é verdade que o deputado do Chega que agora contornou a lei para estacionar o carro durante alguns minutos no Martim Moniz afirmava, há pouco mais de um ano, que Lisboa era um “Município Terrorista” por permitir o “bloqueio” de carros ilegalmente estacionados.
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Avaliação do Polígrafo:

