A denúncia foi feita no Facebook, através de uma imagem que mostra um recorte do portal Base, no qual está destacado que, no dia 7 de dezembro de 2020, a Carris celebrou um contrato no valor de 10.442,28 euros para a "aquisição de caixas de chocolate personalizadas", com a empresa Felicidade Empolgante, Lda.

Numa outra imagem que acompanha a publicação é possível ver um recorte da plataforma Rigorbiz, uma página que reúne dados de empresas portuguesas, indicando que a sociedade em questão abriu atividade cerca de um mês antes da realização do negócio e encerrou as portas menos de um mês depois da assinatura do contrato.

Os dados reunidos nas redes sociais lançaram suspeitas sobre a compra. Mediante solicitação de vários leitores, o Polígrafo confere os factos.

Consultando o portal Base verifica-se que o contrato denunciado é autêntico, tendo sido firmado no dia 7 de dezembro de 2020 pelo valor referido nas redes sociais.

Em resposta enviada ao Polígrafo, a Carris também confirma a aquisição de "cerca de 2.700 caixas de chocolates no final do ano de 2020", produtos que foram oferecidos como "lembrança de Natal para cada um dos colaboradores da empresa", cerca de 2.700 trabalhadores no total.

Um dos motoristas da empresa pública assegurou a autenticidade da oferta ao Polígrafo, assegudando que recebeu "uma caixa com meia dúzia de chocolates artesanais".

Em relação à empresa escolhida, a Carris garante que, previamente, apesar do modelo de ajuste direto, houve uma consulta preliminar a "três entidades que produzem este tipo de produtos". O orçamento apresentado pela Felicidade Empolgante destacou-se como "a proposta economicamente mais vantajosa e que simultaneamente apresentava garantias de qualidade".

Por outro lado, na plataforma Rigorbiz confirma-se que a empresa em questão foi constituída no dia 17 de novembro de 2020. No campo "data de encerramento do exercício" é apontado, de facto, o dia 31 de dezembro. No entanto, a página indica como estando "ativa" a situação da Felicidade Empolgante.

Ora, uma pesquisa por qualquer outra empresa (inclusive a própria Carris) em atividade no site em questão aponta o dia 31 de dezembro como a "data de encerramento do exercício", o que fragiliza a suspeita levantada nas redes sociais quanto à extinção da sociedade. Além disso, outras páginas que agregam informações corporativas, como a Racius, também indicam que a Felicidade Empolgante continua ativa.

Sobre estes factos, a Carris garante apenas que "à data da aquisição, a empresa cumpria todos os pressupostos legais necessários para celebrar o contrato".

O Polígrafo contactou a proprietária da Felicidade Empolgante, uma empresária que trabalha na área da doçaria na zona da grande Lisboa desde há vários anos. Carolina Henke confirma a data de abertura e a celebração do negócio, mas desmente o fim das atividades proplado nas redes sociais. "A empresa não foi encerrada", sublinha.

Carolina Henke explica ainda que abriu a empresa no final do ano passado para alojar um dos seus negócios mais recentes que se relaciona com a venda online de doces. Foi precisamente através desta marca que fechou a venda dos chocolates à Carris.

Em conclusão, é verdade que a Carris celebrou um contrato de cerca de 10.400 euros para comprar chocolates, em dezembro do ano passado. A encomenda traduziu-se em 2.700 caixas de doces que, sob a forma de "lembrança de Natal", foram distribuídas pelos colaboradores da companhia pública. Também é verdade que a empresa que vendeu os chocolates iniciou a sua atividade cerca de um mês antes da transação comercial. Porém, ao contrário do que é insinuado nas redes sociais, mantém as portas abertas.

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Avaliação do Polígrafo:

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