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Carlos Moedas registou a marca “Novos Tempos” dois meses após ter sido eleito presidente da CML?

Política
Este artigo tem mais de um ano
O que está em causa?
Em setembro de 2021, Carlos Moedas liderou a coligação "Novos Tempos" que venceu as eleições autárquicas em Lisboa, sendo eleito para a Presidência da Câmara Municipal de Lisboa (CML). Entretanto destaca-se nas redes sociais que o político efetuou o registo de propriedade industrial desta designação - utilizada durante a campanha eleitoral - em novembro do mesmo ano. Confirma-se?

“Carlos Moedas registou a marca ‘Novos Tempos’. O registo foi feito no dia 6 de novembro de 2021, já Moedas era Presidente de Lisboa há dois meses. Porquê? Se já estava eleito…”, salienta-se num tweet, datado de 21 de outubro.

O autor da publicação divulga ainda uma imagem do alegado registo da marca. E sugere: “Está Moedas a pensar usar o slogan numa possível candidatura ao cargo de primeiro-ministro?”

A coligação “Novos Tempos“, que uniu o PSD, CDS-PP, MPT, PPM e o Aliança, venceu as eleições autárquicas de 2021 na Câmara Municipal de Lisboa (CML). O cabeça de lista, Carlos Moedas, foi eleito presidente desta autarquia.

O registo exposto no post em análise é verdadeiro. Encontra-se disponível no site do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual, no serviço online de pesquisa de marcas, que pode consultar aqui. De facto, o titular desta marca nacional, cujo registo foi concedido em fevereiro de 2022, é Carlos Manuel Félix Moedas. Também é verdade que o pedido de registo da marca data de 6 de novembro de 2021.

Também é possível consultar o âmbito do registo da marca. Neste caso, a marca “Novos Tempos” está adstrita, por exemplo, à “criação de podcasts“, à “edição de publicações eletrónicas, de folhetos e jornais“. Numa outra categoria, está também associada à “investigação e análise no âmbito político” e à “organização de reuniões políticas“, bem como a “serviços políticos“.

Fonte oficial da campanha “Novos Tempos” confirma que o registo é verdadeiro. “Foi feito quando foi possível. Tudo o resto não merece nenhum comentário porque não faz qualquer sentido”, garante a mesma fonte, em relação à sugestão feita na publicação sobre a utilização do slogan numa futura candidatura de Moedas nas eleições legislativas.

Ao Polígrafo, Nuno Sousa e Silva, professor auxiliar na Universidade Católica do Porto e advogado especializado na prática de Direito da Propriedade Intelectual, explica que as marcas são “representações de forma condensada de informação que permitem transmitir mensagens” e que, tipicamente, “estes símbolos gozam de proteção pelo direito porque realizam uma função económica”.

Em relação à marca registada por Moedas, o advogado explica que a primeira coisa passível de discussão é se a marca é válida ou não. “Ainda que haja uma concessão de um registo, isso não quer dizer que um tribunal não possa mais tarde considerar que a marca não é valida. Neste caso concreto, por ser uma marca genérica ou por não ter uma capacidade distintiva”.

No Twitter, alega-se que "a Câmara Municipal de Lisboa não incluiu as aulas de natação para as crianças do 1.º ano no currículo do Desporto Escolar, uma iniciativa que funcionava ininterruptamente desde 2009". Em resposta ao Polígrafo, a autarquia presidida por Carlos Moedas refuta a acusação e garante que esse programa, aliás, foi entretanto alargado a todos os anos do 1.º Ciclo.

E acrescenta: “Assumindo que a marca é válida, o que se presume, porque foi registada, uma pessoa que quisesse, por exemplo, fazer um podcast com o nome ‘Novos Tempos‘ não o poderia fazer, porque isso estaria em conflito com este sinal distintivo”. Nesse caso, explica, “o titular da marca teria de agir sobre essa utilização, já que o direito de marcas é um direito negativo, dá direito de proibir o uso nos âmbitos descritos, mas é preciso que se faça um uso da expressão como marca para existir esta proibição”.

Questionado sobre se o registo de slogans de campanhas políticas é uma prática comum, Sousa e Silva considera que não o é. “Se me consultassem a propósito desse registo, diria que ele não faz sentido, porque o âmbito exclusivo que se procura não vai poder ser concedido”, garante. E diz ser pouco provável que, no contexto político, “se consiga impedir outra utilização da expressão”, sendo esta puramente política e não comercial.

“Agora, existindo, por exemplo, um plano de fazer um podcast com este nome, faz sentido o registo”, esclarece. Ou seja, “o titular gostou da expressão e quer reservá-la para atividades económicas”.

O Polígrafo verificou, através da pesquisa das principais coligações nas eleições autárquicas de 2021, bem como dos slogans e nomes de campanha para as eleições legislativas de 2022, que, de facto, não foram efetuados registos oficiais das designações escolhidas. No entanto, recuando até 2015 e à coligação histórica entre o PSD e o CDS-PP, designada “Portugal à Frente“, encontramos um registo em que o titular é o PSD. Ou seja, não é inédito o registo, enquanto marca, de uma coligação política.

Em suma, é verdade, tal como se afirma nas redes sociais, que Moedas registou a marca “Novos Tempos” após ter vencido as eleições autárquicas de 2021 na autarquia de Lisboa.

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Avaliação do Polígrafo:

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