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Carlos Moedas mentiu ao dizer que “aumentou em 50%” o número de bicicletas da rede Gira em Lisboa?

Política
O que está em causa?
No X/Twitter acusa-se o autarca de Lisboa de ter mentido na última reunião plenária da Assembleia Municipal de Lisboa, ao destacar que "aumentou em 50%" o número de bicicletas da rede Gira na cidade desde que assumiu o cargo. Verificação de factos.

“Carlos Moedas acaba de afirmar na reunião plenária da Assembleia Municipal de Lisboa: ‘Quando começámos neste Executivo tínhamos 1.198 bicicletas, neste momento temos 1.459! Quem é que aumentou em 50% as bicicletas Gira? Fomos nós que conseguimos fazer”, realça-se num tweet de 12 de março, sublinhando depois que “isto é objetivamente mentira“.

Confirma-se que Moedas mentiu sobre esta matéria?

Um comunicado divulgado pela EMEL – Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa a 3 de janeiro de 2022 – dois meses depois da tomada de posse do Executivo de Carlos Moedas -, sobre o “balanço do seu contributo em 2021 para uma cidade segura e ambientalmente sustentável”, deu conta de que na altura estavam em circulação “mais de 900, de uma frota total de 1.600 bicicletas” da rede Gira – Bicicletas de Lisboa.

Noutro comunicado, a 20 de maio de 2022, a EMEL fez um novo balanço sobre a cobertura desta rede: “Atualmente, Lisboa tem 123 estações Gira em operação, que representam um total de 2.373 docas e mais de 1.173 bicicletas da Rede de Bicicletas Partilhadas de Lisboa.”

Números que não diferem muito dos que estão patentes na base de dados “Ciclovias.pt” – evocada no tweet para comprovar a suposta mentira de Moedas -, onde se indica que a rede Gira conta atualmente com um total de 1.436 bicicletas – sendo que, a 13 de março de 2024, estavam disponíveis para circulação 1.154 bicicletas, o que corresponde a 80% da frota.

Mais precisamente no dia 18 de outubro de 2021, quando Moedas tomou posse, o registo da base de dados “Ciclovias.pt” indica que a frota dispunha de um total de 819 bicicletas.

A 25 de outubro de 2023, aliás, a EMEL anunciou ainda estar “a reforçar a rede Gira com 500 novas bicicletas elétricas até ao final do ano”, ao mesmo tempo que procede “à eletrificação de 400 bicicletas convencionais” – o que vai resultar num total de mais de 2.100 bicicletas.

Segundo noticiou o jornal local “Lisboa para Pessoas” em julho de 2023, “o contrato com o consórcio Soltráfego/MEO prevê o fornecimento de bicicletas e de peças durante um período de quatro anos – ou até ser atingindo o montante de 4,3 milhões de euros“.

Mesmo que o aumento já concretizado não seja exatamente de 50%, o facto é que foi celebrado um contrato para o fornecimento de mais bicicletas, “durante um período de quatro anos” (com início em 2023), que prevê a disponibilização de um total superior a 2.100 bicicletas. A concretizar-se, será mais do dobro em relação ao número de bicicletas da rede no início do mandato de Moedas.

Por outro lado, questionada pelo Polígrafo sobre esta matéria, fonte oficial da Câmara Municipal de Lisboa explica que “em setembro de 2021, a EMEL tinha 1.198 bicicletas ativas, das quais 860 eram elétricas. Em janeiro de 2024, o número de bicicletas ativas era de 1.459, das quais 1.269 eram elétricas“.

Com base nestes dados conclui que “existe assim um crescimento de cerca de 50% nas bicicletas elétricas – as mais procuradas – de 860 em setembro de 2021 para 1.269 em janeiro de 2024, tal como o presidente da Câmara Municipal de Lisboa referiu”.

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Avaliação do Polígrafo:

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