O primeiro jornal português
de Fact-Checking

Carlos Moedas: “Há 20 anos que o ‘Rock in Rio’ está em Lisboa e há 20 anos que não paga taxas municipais”

Política
O que está em causa?
No programa "Isto é gozar com quem trabalha - Especial outra vez eleições" da SIC, ontem à noite, ao entrevistar o presidente da Câmara de Lisboa, o humorista Ricardo Araújo Pereira questionou-o sobre a decisão de isentar o festival "Rock in Rio" de taxas municipais "no valor de 3 milhões de euros". Na resposta, Moedas garantiu que não fez "nada de diferente", pois a isenção de taxas tem sido aplicada desde a primeira edição do festival em 2004, além de chamar o Polígrafo para verificar. Aqui estamos... e obrigado pelo convite.

“A Câmara de Lisboa isentou o festival ‘Rock in Rio’ de taxas municipais no valor de 3 milhões de euros, 3 milhões de euros em impostos que não vão ser cobrados. Não acha que esta medida pode criar uma discussão familiar, uma vez que está a tirar ao Fernando Medina [ministro das Finanças] para dar à Roberta Medina [empresária, produtora do ‘Rock in Rio Lisboa’]?”

Apesar da nota de humor, a pergunta era séria e tinha uma base factual. No programa “Isto é gozar com quem trabalha – Especial outra vez eleições” da SIC, ontem à noite (26 de fevereiro), o humorista Ricardo Araújo Pereira confrontava o presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Carlos Moedas, com uma notícia recente (de 19 de fevereiro) que revelou que a CML decidiu apoiar a 10.ª edição do “Rock in Rio”, que se realizará este ano no Parque Tejo-Trancão, com a isenção do pagamento de taxas municipais, no valor de “cerca de três milhões de euros”.

Reagindo à provocação, Moedas começou por pedir ajuda a terceiros: “Primeiro, eu tenho que chamar aqui o Polígrafo, onde é que está o Polígrafo?”

Após o primeiro impacto, defendeu frontalmente a sua posição: “Há 20 anos que o ‘Rock in Rio’ está em Lisboa e há 20 anos que não paga taxas. Portanto, eu não fiz nada de diferente. Só que, em vez de estarem na Bela Vista, agora vão ali para ao pé do altar-palco.”

Tem razão?

De facto, não diferiu da política seguida pelos anteriores Executivos na CML.

Em 2019, por exemplo, a CML aprovou a renovação dessa isenção de taxas municipais para as programadas edições de 2020 e 2022 do festival “Rock in Rio Lisboa”. Os vereadores do PS, CDS-PP e PSD votaram a favor, ao passo que os vereadores do PCP e do BE votaram contra. Nessa altura, recorde-se, a CML ainda era liderada por Fernando Medina do PS.

Também em 2019 estimava-se uma isenção de “cerca de 3 milhões de euros” por cada evento, em linha com o valor não cobrado nas edições anteriores.

E confirma-se, de facto, que a isenção do pagamento de taxas municipais tem sido aplicada desde a primeira edição do festival “Rock in Rio Lisboa” em 2004. Uma primeira edição negociada entre 2002 e 2003 pelo então presidente da CML, Pedro Santana Lopes, do PSD. Antes de saltar para uma efémera (e atribulada) passagem pelo cargo de Primeiro-Ministro.

_____________________________

Avaliação do Polígrafo:

Partilhe este artigo
Facebook
Twitter
WhatsApp
LinkedIn

Relacionados

Fact checks mais recentes