Carlos Moedas garantiu na última terça-feira, durante a 20ª Reunião plenária da AML, ter aumentado a rede ciclável de Lisboa em 90 km durante o seu primeiro mandato (outubro de 2021– outubro de 2025). Será?
Não é bem isso que mostram os dados oficiais da rede ciclável de Lisboa, disponíveis no portal Lisboa Aberta, mantido pela própria Câmara Municipal lisboeta. O ficheiro do Lisboa Aberta regista todos os troços da rede ciclável executados, com indicação do ano de execução, a extensão em quilómetros e a tipologia de cada troço. Segundo esses dados, entre 2022 e 2025, os quatro anos completos do mandato de Moedas, foram executados 72 km de rede ciclável. O número fica 16 km aquém dos 90 afirmados… mas não é esse o único problema.
Composição dos 72 km executados (2022–2025)
| Tipologia | km | % |
|---|---|---|
| 30+Bici (coexistência) | 53,1 km | 74% |
| Pista Ciclável Unidirecional | 7,0 km | 10% |
| Pista Ciclável Bidirecional | 6,2 km | 9% |
| Percurso Ciclopedonal | 4,9 km | 7% |
| Contrassentido | 0,6 km | 1% |
| Faixa Ciclável | 0,2 km | 0% |
| Zona de Coexistência | 0,1 km | 0% |
| Total | 72,1 km |
Moedas inclui as zonas 30+Bici, onde as bicicletas circulam com os carros, na sua definição de “rede ciclável”, o que é válido do ponto de vista municipal… mas confuso quando comparamos o formato com as verdadeiras “ciclovias”.
Se excluirmos as zonas 30+Bici, os quilómetros executados no mandato de Moedas descem de 72 para 19 km. Se considerarmos apenas as pistas cicláveis, definidas pelo Instituto de Mobilidade e Transportes (IMT) como sendo vias nas quais “o ciclista é afastado da circulação motorizada, mediante uma infraestrutura ciclável dedicada e fisicamente segregada” (ou seja, são excluídas todas as vias partilhadas tanto com automóveis como peões), Moedas foi responsável por apenas 13,2km no seu mandato.
Segundo os mesmos dados do Lisboa Aberta, no mandato de Fernando Medina (2018–2021) foram executados 72,8 km de rede ciclável, um total praticamente idêntico ao do mandato de Moedas, mas com uma proporção significativamente maior de infraestrutura segregada (52,5km).
Contactada pelo Polígrafo, a Câmara de Lisboa corrigiu os dados e afirmou que, durante o primeiro mandato de Carlos Moedas, “foram realizados 80 quilómetros de ciclovia”, sendo que a diferença entre os valores disponíveis para consulta e os alegados “deve-se a alguns troços com informação incompleta nos dados abertos e falta de comunicação da extensão dos troços realizados de forma atempada”.
Acrescentou ainda que “existem oito quilómetros de ciclovia em Monsanto cuja obra foi programada no anterior mandato e está atualmente em conclusão de execução”. De qualquer modo, trata-se de um projeto que não pode ser contabilizado como obra do último mandato.
Assim sendo, resta concluir que os dados oficiais do portal Lisboa Aberta mostram que, entre 2022 e 2025, foram executados 72 km de rede ciclável em Lisboa. Mesmo considerada a informação fornecida pela Câmara Municipal, verificam-se 80 km e não os 90 afirmados por Carlos Moedas. Desses 80 km, 66% correspondem a zonas 30+Bici, vias de coexistência sem separação física entre bicicletas e automóveis.
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Avaliação do Polígrafo:
