"Isto é inesperado", escreve a autora de um tweet, divulgado a 14 de setembro, onde é partilhado parte do discurso do novo rei Carlos III, o primeiro frente ao parlamento britânico. Nele, o monarca começa por agradecer as condolências endereçadas pela Câmara dos Lordes e pela Câmara dos Comuns à Família Real, que "de forma tão comovente abrangem o que a nossa falecida soberana, minha amada mãe, a Rainha, significava para todos nós".

Logo depois, um tom de voz, escolha de palavras e um ritmo distinto começam a soar no vídeo: "Gostava, porém, de deixar uma coisa clara. É o Carlos quem está agora no comando e esta merda está prestes a ficar séria."

O discurso volta a parecer normal, mas logo se altera: "Hoje, diante de todos, gostava de abordar algumas das tiranias que vou fazer enquanto rei. Primeiramente, América: vamos conquistar-vos de novo. Estão livres há demasiado tempo. Austrália: vão tornar-se numa prisão massiva de novo. Índia: estão a salvo, não vos queremos de volta de qualquer forma."

As declarações insólitas continuam, com o recém-nomeado rei a fazer referência, por exemplo, a uma suposta lei que ditava que os monarcas podiam ter relações sexuais com uma mulher no dia do seu casamento e despedindo-se com um "adiós", pouco adequado à ocasião.

Naturalmente, como já deve ter percebido por esta altura, o discurso de Carlos III foi profundamente adulterado. Além de a voz que acompanha todo o vídeo não ser a do chefe de Estado britânico, esta não está totalmente coordenada com os movimentos de Carlos III. Quanto ao discurso, apenas a parte relativa ao agradecimento às Câmaras se manteve fiel à realidade:

"Lordes e membros da Câmara dos Comuns, estou profundamente agradecido pelas condolências enderaçadas que, de forma tão comovente, abrangem o que a nossa falecida soberana, minha amada mãe, a Rainha, significava para todos nós. Como dizia Shakespeare, sobre a Rainha Isabel, ela era um exemplo para todos príncipes em vida. Hoje, diante de todos, não posso deixar de sentir o peso da História que nos cerca e que nos lembra das tradições parlamentares vitais a que os membros das duas Câmaras se dedicam com tanto compromisso."

Carlos III

O Parlamento é "o instrumento vivo e respiro da nossa democracia" e uma lembrança dos "antecessores medievais do cargo para o qual fui chamado", destacou Carlos III, lembrando que Isabel II "se comprometeu a servir o seu país e o seu povo e a manter os preciosos princípios do governo constitucional que estão no coração de nossa nação", dando-lhe "um exemplo de dever altruísta que, com a ajuda de Deus e o seu conselho, estou decidido a seguir fielmente"

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