"Somos um partido de várias gerações de portuguesas e de portugueses e um partido com uma história realizadora em todas as regiões do país, nas comunidades emigradas em todos os continentes e nos mais diversos meios associativos, de representação social e do poder político democrático. Não somos, por isso, um partido de ocasião", declarou Carlos César, presidente do PS, na abertura do XXIII Congresso Nacional que se realizou na cidade de Portimão.

"Somos o único partido que, nas próximas eleições autárquicas, apresenta candidaturas a todos os municípios portugueses", destacou. Como tal, sublinhou que "podemos, pois, ter uma justificada esperança de, nas eleições do próximo dia 26 de setembro, sermos merecedores e termos uma grande vitória na maioria das freguesias e das câmaras municipais do continente e das regiões insulares".

Confirma-se que o PS é o único partido a apresentar candidatos nos 308 concelhos?

Antes de mais, os números totais. Em Portugal há 308 municípios (278 no continente, 19 nos Açores e 11 na Madeira) e 3.092 juntas de freguesia (2.882 no continente, 156 nos Açores e 54 na Madeira).

O PS apresenta-se nestas eleições autárquicas com candidatos em todos os 308 municípios e vai concorrer a 2.759 freguesias. O partido anunciou ainda que vai concorrer sozinho nas próximas eleições autárquicas em 293 municípios, vai integrar seis coligações (Aveiro, Cascais Lisboa, Felgueiras, Penafiel e Funchal) e vai apoiar nove candidaturas independentes (Oleiros, Armamar, Aguiar da beira, Redondo, Batalha, São João da pesqueira, Boticas, Ponte de Lima e Tarouca). O PS vai recandidatar 134 dos atuais presidentes de câmaras (44,4%).

O PSD, nas próximas eleições autárquicas concorre a 307 concelhos (apenas Castro Verde fica de fora), pois "mesmo nos casos em que não apresenta candidato, apoia candidatos que concorrem por movimentos independentes. Esta situação é, aliás, em tudo similar à do PS, que também ou tem candidato próprio ou apoia movimentos independentes às próximas eleições", explicou fonte do partido ao Polígrafo. Os sociais-democratas apresentam 153 candidatos em nome próprio, estão presentes em 146 coligações (há quatro anos eram 78) e apoiam oito movimentos ou candidatos independentes na Madeira, Açores, em Mortágua, Vila Nova de Cerveira, Golegã, Vidigueira, Penamacor e Mora.

Quase a cumprir a totalidade de candidatos aos municípios apresenta-se a CDU que concorre a 305 concelhos do país e a 1.637 freguesias. Em comunicado, a CDU - Coligação Democrática Unitária, que integra o Partido Comunista Português (PCP), o Partido Ecologista 'Os Verdes' (PEV) e a Associação Intervenção Democrática, anunciou que vai estar presente com candidaturas próprias aos órgãos municipais em todos os concelhos do Continente e da Madeira e em 16 dos 19 concelhos dos Açores.

O CDS vai estar representado em 251 concelhos, mais do que há quatro anos, a maioria em coligação com o PSD. Assim, os centristas apresentam candidato próprio em 101 concelhos e têm 135 coligações com PSD, Partido da Terra (MPT), Partido Popular Monárquico (PPM), Partido Democrático Republicano, Nós, Cidadãos! (NC), Aliança e Iniciativa Liberal. O CDS apoia ainda 15 candidatos independentes no Porto, Anadia, Golegã, Ribeira Brava, Valença, Abrantes, Boticas, Penedono, Idanha-a-Nova, Alvaiázere, Mértola e Vidigueira.

O Chega concorre a 220 municípios, o dobro em relação a partidos como o Bloco de Esquerda. No entanto, têm surgido suspeitas de violação da lei eleitoral nas listas do partido, que tem candidatos cujos nomes se repetem nos concelhos de Valpaços e Chaves. Segundo o Jornal de Notícias, há ainda nomes repetidos na candidatura a Alcochete e a Grândola e outros dois nomes aparecem simultaneamente em listas para a Almada e Seixal. O Chega diz desconhecer qualquer irregularidade. A repetição de nomes em listas diferentes constitui uma violação da Lei Eleitoral que diz que "nenhum cidadão pode candidatar-se simultaneamente a órgãos representativos de autarquias locais territorialmente integradas em municípios diferentes".

O Bloco de Esquerda (BE) vai apresentar-se em 112 municípios - 112 câmaras municipais e 124 assembleias municipais - em todos os distritos do país e regiões autónomas da Madeira e Açores. Duas das candidaturas são em coligação: em Oeiras, com a Coligação Evoluir Oeiras de cidadãos independentes, encabeçado por Carla Castelo, que também junta o BE, o Livre e o Volt; e no Funchal, com a Coligação Confiança, na qual o BE se une ao Partido Socialista (PS), Partido Pessoas Animais Natureza (PAN), o Partido da Terra (MPT) e o Partido Democrático Republicano (PDR). O partido apoia ainda o Movimento Cidadãos por Coimbra e o Movimento Independente por Peroselo, freguesia que pertence a Penafiel.

O Iniciativa Liberal (IL) vai apresentar-se pela primeira vez às eleições autárquicas com 43 candidaturas próprias e sete em coligação, concorrendo a um total de 51 municípios, e também vai apoiar um movimento de cidadãos, no concelho do Porto. No total, o IL vai contar com listas a 39 câmaras municipais, 40 assembleias municipais e 103 juntas de freguesia. O partido também recebeu 112 propostas para coligações, das quais 105 foram rejeitadas.

O partido Pessoas Animais Natureza (PAN) concorre a 43 Câmaras Municipais, 44 Assembleias Municipais e a 69 freguesias. O partido aumenta o número de candidatos em relação a 2017, mas a porta-voz, Inês de Sousa Real, já fez questão de sublinhar que o partido só apresenta candidaturas autárquicas nos municípios onde já tem trabalho feito, recusando apresentar candidatos "só para marcar presença". As candidaturas do PAN às eleições autárquicas são na grande maioria autónomas, mas há também três coligações, nos municípios do Funchal (com PS, BE, MPT, PDR e Nós, Cidadãos!), Cascais (com PS e Livre) e Aveiro (com PS).

O Aliança vai apresentar-se a 33 dos 308 concelhos do país nas eleições autárquicas de setembro, com listas próprias em três municípios e em coligação nos restantes 30. Em comunicado, o partido informou que vai candidatar-se com listas próprias aos órgãos autárquicos dos concelhos de Viana do Castelo, Porto e Torres Vedras. Na maioria das 30 coligações que integra, o Aliança junta-se ao CDS-PP (20) e ao PSD (17), apresentando-se ainda aos eleitores em acordos concelhios com o PPM, PDR, MPT, RIR e Nós Cidadãos. O partido concorre em 12 dos 18 distritos do continente.

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Avaliação do Polígrafo:

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