"Gatunos! Carga fiscal sobre os combustíveis volta a aumentar em dezembro", salienta-se num post de 2 de dezembro no Facebook, enviado ao Polígrafo com pedido de verificação de factos.

Na respetiva caixa de comentários há mesmo quem acuse o Governo de ser responsável por este aumento propositadamente este mês: "Estamos no mês do Natal. Pensões a dobrar, há que tirar mais dinheiro aos pobres reformados para sustentar os ladrões da máquina estatal."

Vamos recuar até março deste ano, quando o Governo anunciou mais uma diminuição da taxa de Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP) no preço por litro da gasolina e gasóleo: "Do mecanismo semanal de revisão dos valores das taxas unitárias do ISP decorrentes das variações da receita do IVA dos combustíveis resulta, a partir do próximo dia 28 de março, a redução de 1,3 cêntimos por litro na taxa unitária do ISP no gasóleo, ascendendo agora a 4,7 cêntimos por litro a redução do ISP no gasóleo desde o início da subida mais acentuada do preço dos combustíveis, e a 3,7 cêntimos por litro a redução do ISP na gasolina (que esta semana não sofre variações)."

Mesmo em outubro e novembro, vários meses depois do início do conflito, o Governo continuou a proceder à atualização regular mensal do ISP, em cumprimento das medidas de mitigação do aumento dos preços dos combustíveis (equivalente também a uma descida da taxa do IVA dos 23% para 13%). O Governo continua "a apoiar todos os consumidores através de uma redução nos impostos sobre os combustíveis. Considerando todas as medidas em vigor, a diminuição da carga fiscal" passou a ser, a partir de 4 de outubro, "de 28,3 cêntimos por litro de gasóleo e 26,2 cêntimos por litro de gasolina".

  • Portugal tem "os combustíveis mais caros da Europa"?

    Em recente publicação no Facebook destaca-se que com a última subida dos preços da gasolina ("7 cêntimos") e do gasóleo ("11,5 cêntimos") em Portugal, "ficamos com os combustíveis mais caros da Europa!" Verdadeiro ou falso?

Em novembro, a carga fiscal dos combustíveis voltou a descer, pelo que "considerando todas as medidas em vigor, a diminuição da carga fiscal" passou a ser "de 32,1 cêntimos por litro de gasóleo e 27,6 cêntimos por litro de gasolina".

De acordo com a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), o peso dos impostos no preço final da gasolina simples 95 era, no primeiro trimestre de 2022, de 54%. No gasóleo simples cifrava-se em 48%. Por outro lado, no terceiro trimestre deste ano a carga fiscal era bem menos elevada e representava 44% na gasolina simples 95 e 37% no gasóleo simples, um reflexo das medidas acima mencionadas.

Na última semana, no entanto, o Governo voltou a aumentar a taxa de ISP ou, mais especificamente, a cortar no desconto até então aplicado: o Ministério das Finanças desceu assim, a partir desta segunda-feira, o desconto em 3,9 cêntimos no caso do gasóleo e em 2,4 cêntimos na gasolina: esperava-se uma queda de 3 cêntimos no gasóleo e de 1 cêntimo na gasolina.

No comunicado do Governo pode ler-se que as medidas de mitigação do aumento dos preços dos combustíveis se mantêm "em vigor para o mês de dezembro, continuando o Governo a apoiar todos os consumidores através de uma redução nos impostos sobre os combustíveis". Porém, "considerando todas as medidas em vigor, a diminuição da carga fiscal passará a ser, a partir de 5 de dezembro, de 27,3 cêntimos por litro de gasóleo e de 24,7 cêntimos por litro de gasolina".

"Tendo em conta a evolução do preço do gasóleo e da gasolina, estas medidas temporárias resultam numa redução do desconto do ISP em 3,9 cêntimos por litro de gasóleo e em 2,4 cêntimos por litro de gasolina. Mantém-se assim um desconto de 17,1 cêntimos por litro no ISP do gasóleo e de 15,4 cêntimos por litro no ISP da gasolina", explica o Governo.

Por outro lado, a atualização da taxa de carbono vai continuar suspensa até ao final do ano e o "valor do desconto na carga fiscal (ISP+IVA) deverá ser ainda atualizado e constar, a título de menção obrigatória, devidamente identificado nas respetivas faturas ou documento equivalente, conforme previsto no Decreto-Lei n.º 57-C/2022, de 6 de setembro".

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