“O Governo reduziu a capacidade das caixas de email dos Médicos de Família. Disponibilizava 50 gigas e reduziu para apenas 2 gigas (4% do valor anterior!). Numa época em que muitos utentes recorrem ao email para comunicar com o seu médico, para pedir exames e medicação. O que justifica isto, em plena pandemia e em época de "transição digital"? Aplaudem o quê?”, afirma Paulo de Morais, antigo candidato à Presidência da República e atual presidente da associação Frente Cívica, na sua página de Facebook.

Verdade ou falsidade?

Contactada pelo Polígrafo, fonte oficial dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) indica que "não só esta redução é falsa, como houve, inclusivamente, um aumento da capacidade destas caixas de e-mail. As caixas de correio eletrónico dos utilizadores com um perfil de armazenamento com capacidade de 2Gb e de 50 Gb passaram a ter, em 2020, a capacidade de armazenamento de 52 Gb: 2Gb na caixa de entrada e os restantes 50Gb na caixa de arquivo online, sendo estes últimos configurados no perfil dos utilizadores pelas equipas locais das ARS".

Importa esclarecer, tal como referido pelos SPMS, que esta alteração não ocorreu agora, mas sim em outubro de 2020. Nessa altura, após a Ordem dos Médicos ter-se queixado da redução das caixas de e-mail, Luís Goes Pinheiro, presidente dos SPMS, já esclarecera: "A forma como se acede a este armazenamento é que mudou (...)Para mitigar esta fase de passagem de um modelo para o outro está a ser feito um trabalho conjunto entre a SPMS e as equipas locais, que são quem junto dos profissionais de saúde administram o correio eletrónico".

Rui Nogueira, ex-presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), explica que, tendo terminado o seu mandato em janeiro de 2021, era presidente quando esta alteração teve lugar. "A grande polémica da altura ficou a dever-se mais à questão de terem decidido a alteração sem avisar e preparar os médicos, mas depois foram os próprios serviços que indicaram que quem necessitasse de maior capacidade poderia ter acesso".

Ao Polígrafo, Rui Nogueira, ex-presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), explica que, tendo terminado o seu mandato em janeiro de 2021, era presidente quando esta alteração teve lugar. "A grande polémica da altura ficou a dever-se mais à questão de terem decidido a alteração sem avisar e preparar os médicos, mas depois foram os próprios serviços que indicaram que quem necessitasse de maior capacidade poderia ter acesso".

“Nós estávamos, em alguns casos, a usar uma capacidade muitíssimo maior do que aquela que seria necessário. Agora, em qualquer altura, se precisarmos de expandir a memória, se por qualquer razão recebemos, por exemplo, muitos e-mails com fotografias que pedimos aos pacientes, podemos pedir essa expansão aos serviços técnicos”, garante o médico.

Nuno Jacinto, atual presidente da APMGF, explica que os impactos desta reconfiguração da utilização da caixa de e-mail pelos profissionais de saúde "não se fizeram sentir da mesma forma em todo o país".

"Por exemplo, no Norte foi criada uma pasta virtual para compensar essa perda de espaço que não contava para essa contabilização. Eu, por exemplo, no Alentejo, não notei nada, não perdi nenhum e-mail nem tive nenhuma dificuldade de acesso. No entanto, há outros colegas de Lisboa e Vale do Tejo e do Centro que referem, sim, que tiveram uma diminuição franca, que não conseguiram receber e-mails, que tiveram de apagar alguns e-mails que tinham na caixa para conseguir receber alguns e-mails novos de doentes", relata.

Nuno Jacinto, atual presidente da APMGF, explica que os impactos desta reconfiguração da utilização da caixa de e-mail pelos profissionais de saúde "não se fizeram sentir da mesma forma em todo o país".

"No entanto, julgo que pode ser requerida à ARS competente uma alteração da capacidade da caixa de e-mail, consoante a necessidade de cada profissional", refere o presidente da APMGF.

Em suma, conclui-se que é verdade que existiu uma reconfiguração no tamanho da caixa de e-mail dos médicos de família, que resultou numa diminuição de capacidade, em alguns casos, de 50 Gb para 2 Gb na caixa de entrada principal. No entanto, na prática, os SPMS disponibilizaram uma capacidade de 52 Gb a todos os médicos, que tem de ser gerida entre os profissionais e a ARS responsável pela administração deste serviço em cada zona do país.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

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