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Candidato do Livre às eleições europeias disse “que se devia negociar com o Hamas”?

Política
O que está em causa?
O tema do reconhecimento do Estado da Palestina foi um dos que esteve em destaque no decurso da campanha para as eleições europeias. Mas será que se confirma que o candidato do Livre a esse escrutínio, Francisco Paupério, afirmou “que se devia negociar com o Hamas”, tal como disse ontem Rodrigo Saraiva, do Iniciativa Liberal, no Parlamento?
Carlos M. Almeida/Lusa

Em debate no Parlamento esta sexta-feira – requerido pelo Livre, sobre o “Reconhecimento do Estado da Palestina” –, o deputado Rodrigo Saraiva, do Iniciativa Liberal, considerou que, no contexto da guerra em curso no Médio Oriente, a “prioridade” passa por “alcançar a paz”, mas também que o “princípio da proporcionalidade deve ser sempre observado”.

Assim, na sua perspetiva, “todos os esforços diplomáticos devem estar focados em que as partes, nomeadamente Israel, terminem com as hostilidades e cumpram o Direito Internacional”. Mas nunca esquecendo que os “acontecimentos de 7 de outubro foram de uma crueldade atroz e mostram o enorme obstáculo à paz que o Hamas representa”.

Para Rodrigo Saraiva, “não existe qualquer justificação para atos de terrorismo daquela natureza” e, portanto, “Israel é um Estado permanentemente ameaçado”, pelo que teceu críticas imediatas a posições alegadamente veiculadas pelo Livre em tempos recentes. 

É que, segundo o deputado do Iniciativa Liberal, o candidato desse partido às eleições europeias, Francisco Paupério, “disse, em entrevistas, que se devia negociar com o Hamas, o que é inaceitável”. Confirma-se?

De facto, o tema esteve em destaque no debate que colocou, frente-a-frente, na Rádio Observador, os candidatos da Aliança Democrática (AD) e do Livre – Sebastião Bugalho e Francisco Paupério, respetivamente – ao escrutínio agendado para o passado dia 9 de junho.

Num momento da discussão dedicado ao tema, Francisco Paupério anunciou que o partido é a favor do reconhecimento da Autoridade Palestiniana como o governo da Palestina, incluindo a Faixa de Gaza. Notou ainda que “o que o Livre defende, desde 2014, é uma solução de dois Estados”, a qual deve “passar pela democracia”. “Temos de dar essa fezada, mas também dar essa intenção e motivação e acompanhar este processo de reconhecimento da Palestina”, acrescentou ainda o candidato às eleições europeias, que acabou por não conseguir a eleição.

Sobre se tal significa que tal passará por “falar com o Hamas”, Paupério respondeu: “Sim, terá de ser negociado tudo, mas tratá-lo como o grupo terrorista que é.” Questionado, no seguimento dessas declarações, se “o Livre negoceia com terroristas”, esclareceu que “não é uma questão de negociar”, mas de perceber “qual é a melhor solução para o povo palestiniano”. E concluiu: “E o Hamas tem que estar incluído nas negociações tal como o governo de extrema-direita de Israel.”

Assim, conclui-se ser verdade que o candidato do Livre às eleições europeias disse “que se devia negociar com o Hamas”, mas sempre na condição de “tratá-lo como o grupo terrorista que é”.

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