Rui Teixeira é o nome do atual presidente da União das Freguesias de Algés, Linda-a-Velha e Cruz-Quebrada/Dafundo, cargo para o qual foi eleito há quatro anos nas listas do movimento de cidadãos IN-OV (Inovar Oeiras), de Isaltino Morais. Nas eleições autárquicas agendadas para 2021, porém, Rui Teixeira junta-se ao Chega como candidato independente (não é filiado no partido) à Câmara Municipal de Oeiras, presidida por Isaltino Morais.

Tem 55 anos, é "quase oeirense" e vivia, até há quatro anos, como empresário na área da optometria. Em 2017 não privava com Isaltino Morais, mas um conhecido disse-lhe para ir tomar um café com o, à altura, ex-presidente da Câmara de Oeiras. "Fui tomar café com o doutor Isaltino, falei um bocadinho com ele e no fim o meu amigo disse-me: 'Vais ser candidato à União de Freguesias'. Eu disse que ele era louco", conta Rui Teixeira, em entrevista ao Polígrafo. Hoje é presidente da Junta de Freguesia com um mandato que leva três anos e meio: uma duração "fenomenal", enaltece, "muito mais do que eles pensavam".

Sempre votou em Isaltino Morais, mas só à segunda tentativa, já depois de falar com a família, aceitou a proposta do autarca. Diz que "foi uma candidatura espontânea" e que nunca esteve "ligado a nenhum partido político". Note-se que o ex-PSD, Isaltino Morais, é candidato independente desde 2005, depois da ruptura com o seu antigo partido.

Mas o que leva um independente a juntar-se às listas de um partido? Foi catequista. Tem no grupo de amigos "pessoal, teoricamente, 'do bem', da Igreja". Termina as frases, por várias vezes, com "se Deus quiser". A experiência enquanto presidente da Junta de Freguesia trouxe-lhe alguns dissabores: fala em "tráfico de influências" e "conflito de interesses".

"Eu fui usado, mas de uma forma livre", afirma Rui Teixeira. "Eu ganho muito mais e tenho uma vida mais descansada na minha 'outra vida', da qual tive de abdicar em detrimento de ser presidente da União de Freguesias, que me dá muito trabalho. A intenção de Isaltino não era que eu fosse presidente, era que eu fosse o cabeça-de-cartaz".

No último trimestre de 2021, quando se realizarem as eleições autárquicas, Rui Teixeira estará a concorrer para o posto agora ocupado por Isaltino Morais, detido de 24 de abril de 2013 a 24 de junho de 2014 a cumprir pena por crimes de fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais.

Quatro anos depois do café com o candidato independente, o convite desta vez chegou com cor partidária. "O presidente do Chega confirma a candidatura do doutor Rui Teixeira", responde ao Polígrafo fonte oficial do partido. 

O caminho de Rui Teixeira até à candidatura foi traçado pela vontade de "servir as pessoas", mas ao longo da conversa com o Polígrafo fala no "sistema" e é até o próprio candidato quem coloca em cima da mesa o conflito gerado pela relação com Isaltino Morais e um partido "anti-corrupção". 

"Eu estou cá para lutar contra o sistema, senão não tinha aceite o convite do Chega. Claro que há outros aspectos em que eu posso não me identificar com o Chega, mas é lógico que, se este é um partido contra a corrupção e contra o sistema, eu identifico-me com ele", explica.

"Eu vou sempre confiante… Sou é realista. A minha área é também da matemática e das ciências exatas e, sob o ponto de vista matemático, a confiança é sempre muito subjetiva. Além disso tenho confiança de que vamos ter um grande resultado em Oeiras. Mas não ando aqui a sonhar, até porque não sou o 'Pai Natal'. O 'Pai Natal' é o doutor Isaltino Morais, eu sou o Rui Teixeira. Não posso comprar votos", sublinha Rui Teixeira.

Ainda assim, este não foi o principal motivo que levou o autarca a aceitar o convite. "Eu não vou lutar contra a corrupção. Quem é que pode lutar? De facto, todos nós, por lei, temos direito a não compactuar com estas situações de corrupção, a lei tem essa situação descrita, mas ninguém pode lutar contra a corrupção a não ser o Ministério Público e os juízes".

Nem contra a corrupção, nem contra Isaltino Morais, pois considera ser "redutor" que assim se classifique esta candidatura. "Tema e emoção nesta campanha de certeza que não vai faltar. Agora, efetivamente a minha ideia não é ir contra Isaltino. Para mim, aliás, é muito redutor estar a dizer que eu sou candidato contra o Isaltino. Se fosse para ser derrotado, eu não ia para lá. Alguma vitória hei-de ter, se Deus quiser", afirma o candidato.

"Eu vou concorrer pela população de Oeiras, não é pelo Isaltino. Nem faço questão que isto seja uma batalha. Aliás, eu aceitei ser candidato à Junta de Freguesia pelas pessoas e não pelo Isaltino. O meu espírito é de serviço, até porque eu sei perfeitamente que com o Isaltino não posso concorrer diretamente. Assim como não posso concorrer contra uma pessoa que, teoricamente, ganha as eleições quase ao 'pé coxinho'. Sou mais um candidato à presidência da Câmara Municipal. Seja o que Deus quiser", acrescenta.

Assim sendo, não vai confiante para as eleições? "Vou. Eu vou sempre confiante… Sou é realista. A minha área é também da matemática e das ciências exatas e, sob o ponto de vista matemático, a confiança é sempre muito subjetiva. Além disso tenho confiança de que vamos ter um grande resultado em Oeiras. Mas não ando aqui a sonhar, até porque não sou o 'Pai Natal'. O 'Pai Natal' é o doutor Isaltino Morais, eu sou o Rui Teixeira. Não posso comprar votos".

Questionado pelo Polígrafo sobre se houve alguma conversa com Isaltino Morais antes de decidir candidatar-se, Rui Teixeira garante que não existe qualquer tipo de conversa "já há algum tempo. O doutor Isaltino, pura e simplesmente, hostiliza-me".

Em 2017, ao aceitar ser candidato nas listas de Isaltino Morais, confessa que partiu do mesmo princípio de que "todas as pessoas aqui em Oeiras partem: ele fez obra e o facto de ele ter ficado com algumas coisas faz parte do negócio, do jogo". Quanto ao seu percurso político, deixa claro que tem "a vida completamente transparente. Eu nunca fui corrupto nem nunca corrompi ninguém".

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