"Quando uma TV Islâmica, neste caso a Al-Jazeera, enaltece o sucesso do controle de 'refugiados' e todos os que entram por todas as fronteiras sem controle e com benefícios! Viva Portugal! Que venham muitos e muitos mais! Pena é não levarem os que os acolhem como esta foto linda com o Presidente da República das Bananas, que dizem que é Portugal", pode ler-se na publicação em causa, datada de 8 de setembro.

Mas será verdade?

A fotografia com o logótipo da Al-Jazeera e com a inscrição de que Portugal apoia a organização terrorista é falsa e foi alvo de uma montagem. Não há qualquer registo de uma notícia deste cariz na página oficial do canal televisivo. Contudo, a fotografia de Marcelo Rebelo de Sousa é verdadeira e foi capturada em junho de 2018, durante uma visita do chefe de Estado ao restaurante Mezze, em Arroios, Lisboa.

O restaurante, conhecido pelo seu trabalho na integração de refugiados em Portugal, empregou Yasser, um iraquiano que em setembro foi detido juntamente com o irmão por suspeitas de integrar o Estado Islâmico. O chefe de Estado foi fotografado com o empregado, mas explicou aos jornalistas que não havia informação da presença de suspeitos de terrorismo no restaurante onde almoçou em 2018. Yasser já estava a ser investigado pela Polícia Judiciária (PJ) desde o ano anterior.

"Não, não havia informação. E não sei mesmo - isso é um problema de matéria classificada - até que ponto é que não faz parte da estratégia da fiscalização dar espaço de liberdade a quem pode ser uma pista para encontrar outras estruturas para efeitos posteriores", disse aos jornalistas.

Também o primeiro-ministro, António Costa, esteve presente no mesmo restaurante, em janeiro de 2018. Numa das fotografias publicadas no Facebook do Mezze e na página do Twitter do chefe do Executivo, Costa, com Jorge Sampaio ao lado, conversa com Yasser. "Portugal tem sido exemplar no acolhimento a refugiados. O restaurante #Mezze, em #Lisboa, da associação #PãoaPão, com a sua equipa do Médio Oriente, é prova da integração bem-sucedida, fruto do empreendedorismo e do apoio da sociedade civil e de instituições públicas e privadas", escreveu na altura no Twitter.

Os dois irmãos foram detidos a 1 de setembro e ficaram em prisão preventiva por suspeitas de terem integrado o Daesh em Mossul, no Iraque. Estavam a ser monotorizados e vigiados pela PJ desde 2017.

Em comunicado, a PJ informou que "as provas recolhidas indiciam que estes dois indivíduos assumiram distintas posições na estrutura do ISIS/Daesh, sendo os mesmos igualmente objeto de investigação por parte das competentes autoridades judiciárias iraquianas" sublinhando porém que "não foram identificados indícios de que tivessem cometido quaisquer crimes desta natureza em território nacional".

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

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