Na imagem surge Anna Muzychuk, vencedora dos campeonatos mundiais de xadrez em rápidas e semi-rápidas de 2016, atualmente com 31 anos de idade, em frente a um tabuleiro de xadrez. De acordo com o post que está a circular no Facebook, a grande mestra de xadrez terá recusado "jogar na Arábia Saudita", por causa das restrições à liberdade das mulheres naquele país do Médio Oriente.

"Daqui a uns dias perderei dois títulos mundiais, um atrás do outro. Porque decidi não ir para a Arábia Saudita. Recuso-me a jogar segundo regras especiais, usar abaya, ser acompanhada por um homem para que eu possa sair do hotel, para não me sentir uma pessoa de segunda classe. Seguirei os meus princípios e não competirei no Campeonato Mundial de xadrez rápido e blitz onde em apenas cinco dias poderia ter ganho mais dinheiro do que com dezenas de outros torneios combinados. Isto é tudo muito desagradável, mas a parte triste é que ninguém parece querer saber. Sentimentos amargos, mas não posso voltar atrás", terá dito (ou escrito) a jovem xadrezista ucraniana.

Apesar das denúncias em sentido contrário (daí a verificação do Polígrafo), esta história é verdadeira e remonta a 2017, quando Muzychuk, então com 27 anos de idade, recusou viajar até Riade, capital da Arábia Saudita, para participar nos campeonatos mundiais de xadrez em rápidas e semi-rápidas.

A recusa levou à perda dos títulos mundiais que conquistara em 2016 (em Doha, Quatar). Ou seja, Muzychuk não teve assim hipótese de os defender no tabuleiro de jogo.

Em publicação de 23 de dezembro de 2017, na sua página de Facebook, Muzychuk apresentou um esclarecimento dirigido aos seus admiradores. "Dentro de alguns dias vou perder dois títulos mundiais - um a um. Só porque decidi não ir à Arábia Saudita. Não jogar conforme as regras de outros, não vestir uma abaya [túnica tradicional árabe obrigatória para as mulheres quando se apresentam em público], não ser acompanhada na rua e não me sentir uma criatura secundária", escreveu.

"Exatamente há um ano ganhava estes dois títulos e era a pessoa mais feliz do mundo do xadrez, mas desta vez sinto-me mesmo triste. Estou pronta para lutar pelos meus princípios e não ir ao evento onde eu ganharia, provavelmente, mais dinheiro do que o que ganho numa dúzia de eventos. Tudo isto é perturbador, mas o que mais me preocupa é que ninguém se importa. Este é um sentimento amargo, mesmo assim não vou mudar a minha opinião e os meus princípios", sublinhou.

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A decisão foi motivada pela forma como a liberdade das mulheres é reprimida na Arábia Saudita. A irmã mais nova de Anna Muzychuk, Mariya, outra ex-campeã mundial, também recusou competir nesse país.

Embora a tradução a partir da mensagem original da xadrezista não seja inteiramente rigorosa, esta história, no essencial, é verdadeira. Perante a controvérsia, as autoridades sauditas ainda concordaram em levantar algumas restrições no vestuário das jogadoras, mas não deixaram de impor a obrigatoriedade da utilização de calças escuras e de camisolas de gola alta. Essa ligeira cedência não convenceu Muzychuk que não viajou mesmo para Riade.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

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