No post de 9 de abril no Facebook, da autoria de Pedro Coriel, habitante em São Pedro do Estoril, alega-se que a Câmara Municipal de Cascais (CMC) apresentou, no Verão de 2019, o projeto do Parque Urbano da Quinta da Carreira que previa a construção da Circular Nascente, estrada que faria a ligação entre a Estrada Marginal (EN6) e a zona de São João do Estoril. O projeto da Circular Nascente de São João do Estoril (CNSJE) estava previsto já num documento da CMC de 2011 (p. 102) e permitiria "eliminar a passagem de nível rodoviária na estação de São João do Estoril, contribuindo assim para a melhoria da segurança rodoviária e ferroviária".

O autor da denúncia anexa uma imagem do suposto plano de concretização da Circular Nascente e levanta algumas suspeitas: "Olhando para o Parque Urbano que começa agora a ganhar forma (ou não estivéssemos em ano de eleições) não se vislumbra onde é que vai passar a dita Circular Nascente. Pura e simplesmente porque não está (e possivelmente nunca esteve) nos planos deste Executivo cumprir o que está inscrito no seu próprio Plano Director Municipal".

"Por mais que se tente disfarçar, o que está à vista não é mais do que uma réplica do que foi feito em São Pedro do Estoril: uma passagem inferior apenas com uma ponte ferroviária por entre uma vala de grandes dimensões. Passagem essa que, depois de esventrar o Parque das Gerações com uma estrada a céu aberto (arrasando, pelo caminho, a POP Skate Shop e a esplanada de apoio ao parque), vai desembocar no largo onde atualmente funcionam dois jardins de infância e a Paróquia de São João e São Pedro do Estoril… Em suma, e entre outras atrocidades, a CMC propõe-se destruir, de braço dado com a Infraestruturas de Portugal, o maior, mais completo e mais bem localizado parque de skate português", acusa.

Questionada pelo Polígrafo, fonte oficial da CMC informa que "não só não se prevê a destruição do parque como inclusivamente, e depois de ter sido pioneira a investir neste tipo de infraestruturas, tem prevista e aprovada uma segunda fase com o alargamento do parque e a criação de novas pistas e novas valências". O estudo prévio, de acordo com a mesma fonte, foi já aprovado, prevendo-se lançar o concurso público da execução da obra "dentro de 60 dias".

A fotografia do projeto da Circular Nascente que está a ser difundida nas redes sociais "é uma alternativa ainda em fase embrionária e que faz a ligação em túnel da Marginal ao parque de estacionamento em frente ao Centro Paroquial do Estoril, preservando na íntegra a totalidade do perímetro do parque", assegura a CMC.

"No dia em que fiz o post que o Polígrafo avaliou como falso, os planos da CMC iriam, de uma forma ou de outra, destruir o Parque.  Fosse por estrada a céu aberto: destruição total e completa. Fosse por túnel: destruição parcial e encerramento por tempo indeterminado", afirma Pedro Coriel, habitante em São Pedro do Estoril, que denunciou a alegada destruição em curso.

No dia 10 de abril, um dia depois do post que denunciava as alegadas intenções da autarquia cascalense, o presidente da CMC, Carlos Carreiras, surgiu num vídeo publicado na página da autarquia no Facebook a desmentir a mesma alegação. "Sobre o Parque das Gerações, outro caso de fake news, já afirmam que eu quero acabar com o parque. Quero dizer aqui com todas as letras: é falso. Ninguém vai acabar com o Parque das Gerações. (...) O que vai ser feito, para fazer a ligação da Marginal do lado mar ao lado terra é um túnel que passa por baixo do Parque das Gerações. O parque à superfície ficará exatamente na mesma. Aliás, ficará melhor, porque vamos fazer uma intervenção para o melhorar", afirmou.

Posteriormente, no dia 12 de abril foi publicada uma nota na página do Parque das Gerações no Facebook, na qual se esclarece que "a possível ligação da Avenida Marginal a São João do Estoril ainda se encontra em fase de estudo" e, no caso de avançar, "será sempre na condição de não afetar em nada o Parque das Gerações. Ou seja, foi-nos garantido que a entrada, a área total e todo o funcionamento do parque não será comprometido por qualquer intervenção externa".

Recorde-se que o Parque das Gerações foi um dos vencedores da primeira edição do Orçamento Participativo de Cascais, em 2011. Seis anos depois voltou a ser um dos projetos vencedores da iniciativa, desta vez com o objetivo de requalificar o espaço. No entanto, até ao momento (a última atualização disponível é de 9 de março de 2020), apenas foi elaborado o "Programa Preliminar". Pedro Coriel apresenta a sua versão dos factos ao Polígrafo: "No dia em que fiz o post que o Polígrafo avaliou como falso, os planos da CMC iriam, de uma forma ou de outra, destruir o Parque.  Fosse por estrada a céu aberto: destruição total e completa. Fosse por túnel: destruição parcial e encerramento por tempo indeterminado, tendo como única garantia de reconstrução a palavra (sem o mínimo suporte técnico) de um Presidente que nunca escondeu a sua antipatia por este projecto. Face à enorme pressão da comunidade (que inclusive chegou ao conhecimento do Polígrafo ) a CMC tentou salvar a face e aprovou, passados três dias, um Estudo Prévio que tinha chumbado menos de uma semana antes. E foi essa aprovação que deu origem ao post do dia 12 de Abril, da página oficial do Parque das Gerações. O facto de a ligação da Marginal a S. João do Estoril pelo meio do Parque das Gerações(mesmo que em túnel) ainda ser uma hipótese que a CMC tem em cima da mesa, não retira a ameaça de destruição que paira sobre este equipamento único, só a empurra para depois das eleições."

Concluindo, à luz daquilo que é o projeto anunciado publicamente por Carlos Carreiras, não haverá "destruição" do Parque das Gerações, nomeadamente através da construção de "uma estrada a céu aberto". O autarca garantiu que a construção da Circular Nascente não irá afetar a estrutura, uma vez que a ligação entre a Estrada Marginal e a zona de São João do Estoril será efetuada através de um túnel. 

Nota editorial: este artigo foi atualizado às 20h24 do dia 21 de março com a introdução das declarações de Pedro Coriel. A avaliação não sofreu alteração.

__________________________________________

Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

Siga-nos na sua rede favorita.
Falso
International Fact-Checking Network