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Cabo da GNR ganha tanto de salário como tenente das Forças Armadas?

Sociedade
O que está em causa?
As comparações entre os salários de diferentes profissões, ou entre os setores público e privado, são recorrentes nas redes sociais, por vezes com números errados. Desta vez estão em causa as remunerações das categorias de cabo na GNR e tenente nas Forças Armadas.
© Agência Lusa / António Cotrim

“Se um cabo da GNR tem vencimento semelhante a tenente das Forças Armadas, antes do acionar das reivindicações, a sangria vai continuar”, destaca-se num post de 13 de maio no Facebook, indicado ao Polígrafo para verificação de factos.

O contexto e a referência às “reivindicações” passa pelas negociações em curso entre a ministra da Administração Interna, Margarida Blasco, os sindicatos da Polícia de Segurança Pública (PSP) e associações da Guarda Nacional Republicana (GNR) por causa do suplemento de missão.

Há cerca de duas semanas, a ministra da Administração Interna apresentou uma proposta do Governo que não foi bem recebida pelos elementos das forças de segurança. No dia 15 de maio, os sindicatos da PSP e associações da GNR voltaram a reunir-se no Ministério da Administração Interna (MAI), depois de terem entregue uma contraproposta em que defendem um aumento de cerca de 600 euros através da alteração do atual suplemento por serviço e risco nas forças de segurança.

É verdade que um cabo da GNR ganha tanto de salário como um tenente das Forças Armadas?

Não. De acordo com as tabelas do “Sistema Remuneratório da Administração Pública” referente a 2024, divulgado pela Direção-Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP), os salários-base das referidas categorias não têm valor equivalente.

Na realidade, o salário-base da categoria de cabo da GNR varia entre 1.280,72 euros no 1.º escalão e 1.543,88 euros no 5.º escalão da respetiva carreira.

Por sua vez, o salário-base da categoria de segundo-tenente/tenente nas Forças Armadas varia entre 1.649,15 euros no 1.º escalão e 1.807,04 euros no 3.º escalão.

Em suma, aplicamos o selo de “Falso” neste post que difunde uma alegação sem base factual.

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Atualização:

Na sequência da publicação deste artigo recebemos um e-mail de um leitor a apontar para os suplementos a que têm direito os militares da GNR. A presente verificação de factos tem enfoque na questão estrita do salário-base, mas a questão dos suplementos não deixa de ser relevante. Estão previstos no sistema remuneratório dos militares da GNR e são os seguintes: suplemento especial de serviço; suplemento de ronda ou patrulha; suplemento de escala e prevenção; suplemento de comando; suplemento de residência.

No entanto, a atribuição destes suplementos depende de vários fatores, tal como os valores em causa, pelo que não é possível calcular sequer um valor médio mensal de suplementos realmente auferidos por um cabo da GNR. Acresce que os militares das Forças Armadas também recebem um suplemento de condição militar que é calculado da seguinte forma: uma componente variável, fixada em 20% sobre a remuneração base; uma componente fixa, no valor de 100 euros.

De qualquer modo, voltamos a sublinhar, a avaliação cinge-se ao salário-base, valor fixo e tabelado para todos, independentemente dos suplementos que variam de militar para militar.

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Avaliação do Polígrafo:

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