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Buscas no Parlamento Europeu. Funcionário suspeito já teve ligações à “família europeia do Chega”?

União Europeia
O que está em causa?
O Ministério Público da Bélgica informou, no dia 29 de maio, que a residência e os gabinetes de um funcionário do Parlamento Europeu tinham sido alvo de buscas, no âmbito de uma investigação sobre "indícios de ingerência russa". Entretanto numa publicação no X/Twitter alega-se que "o suspeito teve relações com a família europeia do Chega". Verificação de factos.
© Shutterstock

“Polícia belga está a fazer buscas no Parlamento Europeu, devido a uma possível interferência russa”, destaca-se num tweet de 29 de maio, precisamente no mesmo dia em que surgiu a notícia das buscas que, informou o Ministério Público da Bélgica, “fazem parte de um caso de ingerência, corrupção passiva e participação numa organização criminosa e estão relacionadas com indícios de ingerência russa, em que membros do Parlamento Europeu foram abordados e pagos para promover propaganda russa através do site de notícias Voz da Europa”.

De acordo com o tweet em causa, “o suspeito teve relações com a família europeia do Chega” – ou seja, o grupo político Identidade e Democracia, no qual se integra o partido português liderado por André Ventura.

Confirma-se essa ligação?

Segundo noticiou a AFP, as buscas realizaram-se em Bruxelas e Estrasburgo e foram o mais recente passo de uma série de iniciativas relacionadas com suspeitas de “ingerência russa” para influenciar o resultado das próximas eleições para o Parlamento Europeu. A investigação em curso incide sobre a possibilidade de membros do Parlamento Europeu terem sido “abordados e pagos para promover propaganda russa” através do portal de notícias “Voice of Europe”.

Uma fonte próxima do inquérito revelou à AFP que o alvo das buscas foi Guillaume Pradoura, assistente parlamentar do eurodeputado neerlandês Marcel de Graaff, que faz parte do setor de não inscritos (ou seja, não está integrado em qualquer bancada parlamentar). 

Anteriormente, informou a revista alemã “Der Spiegel“, Pradoura desempenhou as mesmas funções, desde julho de 2019 e durante três anos, no gabinete do eurodeputado alemão Maximilian Krah, que está a ser investigado por suspeitas de ligações à Rússia e à China, do partido Alternativa para a Alemanha.

Partido esse que, até há semanas, pertencia ao grupo Identidade e Democracia (ID) do Parlamento Europeu – mas que foi expulso do mesmo na sequência de vários escândalos envolvendo dirigentes do partido, como é o caso de Maximillian Krah, em tempos recentes.

Trata-se de um grupo político com vários partidos de direita radical e extrema-direita que, na sequência das eleições europeias de 2019, sucedeu ao anterior grupo Europa das Nações e Liberdade, passando a reunir partidos como o Reagrupamento Nacional (França), o Liga (Itália) e o Alternativa para a Alemanha, entre outros.

Assim, confirma-se que o funcionário do Parlamento Europeu que foi alvo de buscas no contexto da referida investigação teve, no passado, ligações à “família europeia do Chega“, o grupo político Identidade e Democracia.

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Avaliação do Polígrafo:

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