"Brutal, Lidl Portugal! A isto chama-se liberdade. Liberdade de deixarmos as nossas crianças serem crianças e escolherem livremente os seus brinquedos e brincadeiras", começa por se enaltecer num post de 4 de novembro no Facebook (partilhado viralmente por milhares de pessoas), com imagens do que parece ser um folheto de publicidade dos supermercados Lidl, remetido ao Polígrafo com pedido de verificação.

"Chega de ver as lojas com as secções divididas em duas partes: o cor-de-rosa com as bonecas, princesas, unicórnios; o azul com os cowboys, carros, motas. 'Brincar é uma coisa muito séria. Séria demais para que possa ser levada a brincar. E se brincar é assim tão importante, mais importante é que a criança possa diversificar as suas brincadeiras'", defende-se no mesmo texto.

"Não existem brinquedos de meninas nem de meninos. Vamos libertar essas mentes! Elas não são 'marias-rapazes' porque jogam futebol, nem eles 'demasiado femininos' porque brincam com barbies. Obrigada, Lid. Incrível", conclui-se.

Apesar das dúvidas, a publicidade em causa é real. As imagens foram replicadas a partir de um catálogo (ou folheto) dos supermercados Lidl, intitulado como "Especial Natal - Brinquedos" e distribuído a partir do dia 7 de novembro (pode consultar aqui).

Aliás, não é a primeira vez que a marca Lidl avança com esta iniciativa. Na época natalícia de 2020 já tinha lançado um catálogo de brinquedos em que sobressaía a mesma desconstrução de estereótipos de género nas atividades das crianças.

Um catálogo que chegou mesmo a ser destacado e elogiado por Maria Manuel Leitão Marques, atual eurodeputada e ex-ministra da Presidência e da Modernização Administrativa (entre 2015 e 2019) que detinha a tutela sobre estas matérias de promoção da igualdade de género, na medida em que integrava a Secretaria de Estado para a Cidadania e a Igualdade.

"Os estereótipos de género são uma das principais barreiras à igualdade de oportunidades. Toda a ajuda a desmontá-los é bem-vinda. Obrigada, Lidl", escreveu Leitão Marques, num tweet de 10 de novembro de 2020.

"Neste catálogo a ideia é que os brinquedos não têm género e que são para todas as crianças no geral, sem nenhum tipo de discriminação ou estereótipos de género associados", explicou na altura a empresa de supermercados em causa.

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