"Auditoria do Partido Liberal (PL): Bolsonaro venceu com 51,05% nas urnas 'auditáveis'. Em vez de explicar, o ministro presidente do TSE [Tribunal Superior Eleitoral], Alexandre de Moraes, não aceita ser questionado e ainda pune dirigentes do partido e multa o PL em 23,9 milhões de reais. O ministro disse que o PL age para insuflar o povo que está na rua", denuncia-se num post de 24 de novembro no Facebook.

Apenas um exemplo entre milhares de partilhas da mesma alegação desde quarta-feira, 23 de novembro, em várias redes sociais.

Os posts têm por base um relatório apresentado no dia 22 de novembro pelo Partido Liberal, do qual faz parte o ainda Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, prestes a ser sucedido no cargo por Lula da Silva, vencedor das eleições presidenciais.

O problema é que esse relatório "apresenta informações falsas, pede a anulação de votos registados em urnas anteriores a 2020 e afirma, sem apresentar provas, que Bolsonaro venceria a eleição com 51% dos votos caso fossem consideradas apenas as urnas mais recentes". A avaliação é da plataforma de verificação de factos brasileira "Aos Fatos".

Na verdade, de acordo com os resultados oficiais divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral, foi Lula da Silva quem venceu o segundo turno das eleições presidenciais de outubro no Brasil, com 50,9% dos votos válidos. Bolsonaro arrecadou 49,1%.

Segundo a estimativa feita pelo Partido Liberal, porém, caso fossem anulados os votos registados pelas urnas eletrónicas anteriores a 2020, Bolsonaro teria 51,05% dos votos, contra 48,95% de Lula.

Em entrevista ao portal UOL, um dos autores do documento explicou que o levantamento não fez um novo cálculo dos votos. "A minha análise é técnica", afirmou na terça-feira. "A urna funcionou bem? Era o objetivo. Ou tem indício de mau funcionamento? Tem indício de mau funcionamento. Tá?"

No relatório aponta-se também que um erro nas urnas de modelos anteriores à UE2020 "impediria a idoneidade no cálculo do sufrágio e que, em alguns casos, houve quebra de sigilos dos votos". No entanto, tais alegações são falsas. "A representação foi enviada pelo PL ao TSE na tarde da última terça-feira. Minutos depois, o presidente do tribunal, ministro Alexandre de Moraes, publicou despacho em que afirma que o pedido do partido deve incluir os resultados do primeiro turno, uma vez que as mesmas urnas foram utilizadas nas duas fases do pleito", conclui a plataforma "Aos Fatos".

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