“Bolsonaro mandou instalar painéis solares em cima do canal da transposição do São Francisco.” Esta é a afirmação feita por vários internautas que estão a partilhar imagens de uma alegada obra mandada executar pelo Presidente do Brasil. Segundo os utilizadores das redes sociais, esta obra não ocupa espaço útil, evita a evaporação da água e permite fornecer energia a pequenos produtores.

Nas imagens partilhada, é possível ver um canal de água coberto por dezenas de painéis solares, mas as fotografias não é nítida o suficiente para perceber a sua localização concreta. Será que correspondem a uma obra determinada por Bolsonaro?

Não. As fotografias que acompanham a publicação não correspondem a uma obra feita no Brasil nem foi ordenada por Jair Bolsonaro. Uma simples pesquisa no Google leva a uma série de publicações em que se percebe que estes painéis estão instalados na Índia.

O Polígrafo encontrou também um tweet de Erik Solheim, datado de 17 de junho de 2021, em que o presidente do "Green Belt and Road Institute" e antigo ministro do Ambiente da Noruega garante que as imagens foram registadas em canais de água na região de Gujarat.

“UAU! Canais solares na Índia! Há painéis solares integrados em canais em Gujarat. Ajuda nas perdas por evaporação, não usa terreno extra e mantém os painéis solares mais frios. Grande passo em frente para a indústria solar!”, escreveu Erik Solheim.

erik solheim

Um artigo da BBC, publicado a 4 de agosto de 2020, também mostra que este tipo de tecnologia que consiste em “transformar os canais do país em trilhas brilhantes de painéis solares” está a ser utilizado “numa pequena vila empoeirada em Gujarat”.

Por outro lado, apesar de Jair Bolsonaro ter admitido, em 2019, estar a estudar a instalação de painéis solares nos canais do São Francisco para que a energia solar possa ser utilizada no bombeamento da água, não há informação de que esses painéis já tenham sido instalados ou que estejam sequer em fase de instalação.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

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