A mensagem circula no Facebook e faz um apelo, quase em tom de desespero: “Pessoal, a revista americana Time incluiu Jair Messias Bolsonaro (numa votação) para concorrer à PERSONALIDADE DO ANO. Infelizmente, a PETRALHADA descobriu antes e ele tem apenas 3% de “YES” e 97% de “NO”! Vamos virar este jogo? É simples, clique aqui.”.

Pelo tom impresso às palavras, é urgente repor a honra do presidente do Brasil e o bom nome da nação, que parecem estar a ser roubados pelos apoiantes do Partido dos Trabalhadores, ou seja, de Fernando Haddad. O autor da publicação pede, ainda, a quem tome contacto com dela, uma partilha massiva, não só no Facebook, mas também no Whatsapp, plataformas que, juntas, têm mais de 3 mil e 800 milhões de utilizadores. O objetivo parece ser garantir que Bolsonaro fique com uma votação favorável à atribuição do prémio.

Porém, o post é uma ratoeira, agora desarmada pelo site de verificação de factos “Boatos.org”. Ainda assim, muitas pessoas ingénuas foram apanhadas. Caso contrário, a publicação não se tinha tornado viral.

Nada faz sentido naquele texto. Em primeiro lugar, a eleição da personalidade do ano para a Time já aconteceu em dezembro. Não houve um eleito, mas vários, os “guardiões da verdade”, jornalistas que se colocaram em risco, ou que morreram, para garantir a publicação de notícias que incomodavam governos de diferentes países. Em segundo lugar, quem elege a personalidade do ano são os editores da revista e não os leitores através uma votação pública, online.

Para deixar o voto na urna, o site não pede dados pessoais ou bancários, por isso não se trata de uma ação criminosa de phishing. Porém, à medida que os eleitores vão folheando o catálogo de concorrentes, vai surgindo publicidade, por exemplo, a redes sociais e a um site de encontros de velhos amigos. Ora, quantas mais visualizações o site conseguir, mais cliques vão ter os anúncios.

É certo que antes de anunciar o eleito, a Time lançou um inquérito para saber que personalidade escolheriam os leitores. A verdade é que a votação foi encerrada assim que se fez o anúncio do vencedor. Trump ficou em 1.º lugar, Jair Bolsonaro em 9.º, mas esta era uma eleição simbólica.

A conclusão imediata é a de que não vale a pena partilhar o post de apelo ao voto em Bolsonaro. Nem partilhar, nem votar. Esta não é, de todo, uma consideração política, mas um facto: nem 3 mil e 800 milhões de votos fariam a diferença na personalidade do ano. Ela está irrevogavelmente escolhida.

Ainda assim, o Polígrafo visitou o site onde decorre a tal votação, para perceber o verdadeiro intuito dos autores da ratoeira. Para deixar o voto na urna, o site não pede dados pessoais ou bancários, por isso não se trata de uma ação criminosa de phishing. Porém, à medida que os eleitores vão folheando o catálogo de concorrentes, vai surgindo publicidade, por exemplo, a redes sociais e a um site de encontros de velhos amigos. Ora, quantas mais visualizações o site conseguir, mais cliques vão ter os anúncios. Consequentemente, melhores resultados publicitários vai obter o administrador da plataforma. Trata-se de uma técnica chamada clickbait, a criação de conteúdos na Internet que se destinam a gerar  receitas publicitárias.

Contudo, não há razão para os apoiantes de Bolsonaro ficarem tristes. Já diz a sabedoria popular: quando se fecha uma porta, abre-se, sempre, uma janela. O presidente do Brasil foi, de facto, eleito personalidade do ano. Não pela revista Time, mas pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos. A eleição para o ano de 2019 aconteceu esta segunda-feira.

Avaliação do Polígrafo:

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Falso
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